terça-feira, 12 de abril de 2011

Curso de Letras elege os primeiros representantes

 A chapa eleita: Da primeira fase, Eline, Débora e Everson.
Da segunda fase, Josiane, Marina e Lucas.

Por Patrícia dos Santos (Letras/UFFS-Realeza)

O Curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Realeza elegeu na última sexta-feira (08) os primeiros representantes do seu Centro Acadêmico.

Alunos das duas turmas votaram para aprovar a única chapa inscrita, UAL – União dos Acadêmicos de Letras, composta por alunos da primeira e da terceira fase.

Entre as propostas apresentadas, a chapa UAL priorizou a interação entre ambas as fases, com o intuito de promover maior representatividade do Curso perante a Universidade.

Além disso, a chapa propôs que atividades culturais sejam ampliadas, como é o caso do Sarau Literário que teve duas edições em 2010 e agora, com a chegada da nova turma, será repensado a fim de promover, além de apresentações culturais diversas, palestras voltadas para os futuros professores de Português, Espanhol e Literatura.

A presidente eleita do C.A., Marina Maria Rodrigues, em conversa com o Comunica, agradeceu a confiança dos colegas e reforçou: “O Centro Acadêmico do Curso de Letras pretende fazer com que o Curso ganhe notabilidade. Necessitamos de atividades variadas que incentivem a cultura. Além disso, é de suma importância que haja interação entre as turmas”.

Comissão é formada para fiscalizar obras do campus definitivo

Alunos da UFFS animam-se com a construção do campus de Realeza

Por Charline Barbosa (Ciências/UFFS-Realeza)

Em seu segundo ano, a Universidade Federal da Fronteira Sul, UFFS, ainda se encontra em instalações provisórias, sofrendo, assim, com a falta de recursos estruturais necessários para a realização de aulas e pesquisas. Porém, o processo de construção do campus definitivo dará, aos poucos, forma ao esperado primeiro bloco, o qual possui salas de aula e três laboratórios, tendo data de término para o final do ano de 2011.

Com a criação de uma comissão fiscalizadora, formada por alunos, professores e técnicos administrativos, as obras tomam rumos diferentes, pois as atenções se dobram aos passos dados pela construtora. Em caso de complicação, acadêmicos e toda a comunidade universitária serão rapidamente informados para auxiliar nestes problemas, a fim de tornar mais rápido o processo de construção.

A comissão de fiscalização conta com o relatório que apresenta o “Programa de Necessidades” para os projetos executivos da Infra-estrutura do novo campus universitário da UFFS. Este relatório fornece a explicação detalhada de dados do contrato, prazos de entrega, objetivos e os projetos envolvidos, como, por exemplo, projeto de implantação urbanística e paisagismo, projeto geométrico, projeto de terraplanagem, projeto de esgoto e sistema de tratamento de água.

A área para implantação do campus está inserida no perímetro urbano, em lote com área total de 85,00 ha. O projeto para construção conta com centro de eventos, laboratórios didáticos, restaurante universitário, centro administrativo, sala para professores, centro esportivo com ginásio, campo de gramado para futebol, duas piscinas olímpicas aquecidas, quadras para tênis, guaritas de segurança, entre outros recursos.

Em entrevista, a acadêmica Danielle Cristina, integrante da comissão de fiscalização, salientou a preocupação que todos estão tendo com as obras. Segundo ela, “faremos o possível para acelerar o processo de construção e finalização das obras, pois todos queremos um campus que forneça estruturas necessárias para aulas, pesquisas, extensão e administração em espaços adequados”. Para finalizar, informou que a obra terá prazo para ser entregue até 2015.

Movimentos sociais na UFFS

A consolidação da universidade precisa do apoio de várias entidades, inclusive dos movimentos sociais
  
                                                                                                                        Ivonei Gomes/UFFS
Várias pessoas estiveram no evento

Por Jéssica Pauletti (Ciências/UFFS-Realeza)

Realizou-se, na última segunda-feira, dia 04 de abril de 2011, às 14h00, uma assembleia organizada pelo CAMVET (Centro Acadêmico de Medicina Veterinária), que contou com a participação dos representantes dos outros centros e Diretório Acadêmico, membros de movimentos sociais da região, Direção de Campus e demais pessoas da comunidade acadêmica e local. O intuito principal foi discutir acerca das dificuldades que os estudantes do Curso de Medicina Veterinária estão sofrendo, como a falta do hospital veterinário e laboratórios das áreas específicas.

Para início, leu-se uma carta, a qual relatava a importância dos Movimentos Sociais na implementação da UFFS. Em seguida, foi aberto um espaço para que representantes estudantis de Nutrição, Sarajane Marciniack, e Ciências, Juan Corrêa, expusessem a situação de seus cursos especificamente (o Centro Acadêmico de Letras ainda está em fase de constituição, por isso não teve representante) e do Diretório Acadêmico, Edenilson de Souza, sobre as dificuldades gerais dos estudantes. Os docentes de Medicina Veterinária, Adolfo Firmino da Silva Neto, Carina Franciscato e Patrícia Romaneoli, também se pronunciaram a respeito do assunto.

Em nome dos movimentos sociais, Inácio Werle integrante da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul) colocou a preocupação que eles estão tendo com os problemas enfrentados pelos acadêmicos da UFFS. Segundo Inácio, para tentar amenizar esses danos, é preciso montar-se uma força tarefa que esteja pronta para lutar pelos ideais reivindicados pelos educandos. Ele deixou em aberto a possibilidade de um outro encontro, na qual os principais representantes dos estudantes possam conversar diretamente com os movimentos para deliberar os assuntos de cunho emergencial e de que forma pode-se trabalhar em cima disso.

Em conversa com o Comunica, o acadêmico e presidente do CAMVET, Fabrício Bernardi, elencou alguns pontos relevantes do encontro. Segundo ele, espera-se que essa reunião possa motivar os estudantes de Medicina Veterinária e dos demais cursos para se engajarem na luta pela estruturação do Campus para que a formação de todos seja de qualidade.

Outro ponto destacado por Fabrício é que alguns representantes dos movimentos sociais relataram que “não estavam inteirados totalmente a respeito de como está o processo de construção da UFFS e da falta de condições ideais e dificuldades que os acadêmicos estão enfrentando”, portanto, para o líder estudantil, essa assembleia foi proveitosa já que foi o início de uma aproximação dos movimentos com os acadêmicos.

Sobre uma nova reunião entre os acadêmicos e os movimentos, Fabrício espera que haja um contato mais próximo, possibilitando estabelecer metas e meios de ação e articulação para que se possa somar forças para buscar a consolidação da construção da UFFS e desse modo ter uma formação de qualidade a todos.


A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim

Durante a semana, o Comunica buscou saber o que fazem as pessoas sentadas nos bancos do calçadão municipal de Realeza

Por Will Cândido (Ciências/UFFS-Realeza)

Ao passar pelo centro de Realeza, o que mais chama a atenção de quem vem de fora, à primeira vista, é o seu esplêndido e extenso “calçadão”. Ocupando uma grande parte do centro da cidade, o calçadão municipal é uma marca realezense.

Pela manhã

Durante as manhãs, o calçadão é repleto de idosos. Entrevistando alguns deles, o Comunica encontra o Sr. Adão Borba, 61 anos, agricultor aposentado que, de maneira simples e rápida, disse o que estava fazendo ali: “Moramos na Colônia e ficamos sentados aqui esperando o banco abrir”. Como o Sr. Adão mora longe e necessita de ônibus para chegar até a cidade, ele, na maioria das vezes, chega bem antes de o banco abrir. Esse também é o motivo de muitas outras pessoas estarem sentadas nos bancos da praça pela manhã.

                                                                                                     Mayza Lora
 Clarice Borba e seu pai, Adão Borba,
esperando o banco abrir
Ao Meio-dia

Nesse horário, o comércio local se fecha, e muitos dos funcionários e proprietários que ali trabalham vão para casa almoçar.

Durante o horário de almoço, encontramos algumas pessoas que estão descansando nos bancos. O Sr. Marcelo Kops, 39 anos, gerente comercial, conversou com o Comunica e explicou o motivo para ele e sua esposa estarem sentados ali: “como trabalho em horário comercial, este é o horário que tenho à disposição para vir ao banco. Fomos almoçar e agora estamos aqui para dar uma descansadinha antes de voltar ao trabalho”. A esposa de Marcelo, Sra. Rosane Kops, dona de casa de 35 anos, complementa a fala do marido: “o calçadão é um local agradável para se sentar, bem fresco e arborizado. O clima hoje está bom, e aqui podemos descansar depois do almoço”.

À tarde

Nem todas as pessoas que ali se sentam estão aguardando o banco se abrir ou acabaram de voltar dele. O Comunica entrevistou algumas pessoas na parte da tarde que estavam a fim de uma espécie de lazer.

“Ficar em casa fazendo o que? Brigando com a mulher? Eu não! Venho aqui e me encontro com meus companheiros de antigamente”, afirma o Sr. Maximino Andrette, 65 anos, aposentado. O Sr. Maximino relata que vai praticamente todos os dias até o calçadão, tanto no período da manhã quanto no período da tarde, quando se encontra com os seus companheiros e começa a conversar.

“Sempre nos sentamos aqui, mas já estamos quase desistindo. Não ganhamos nenhum cafezinho, ninguém serve uma cervejinha”, diz o Sr. Nalredi Maria, 75 anos, aposentado. Conta que gosta de ficar ali, “proseando com os velhos e vendo os ‘bicho bão’ que passam na rua”. As pessoas sempre lhes perguntam: e na chuva, como é que faz? “Na chuva, podiam colocar uma tenda pra agradar os velhinhos aqui!”, responde o Sr. Nalredi.

                                                                                                     Mayza Lora
 Sr. Nalredi e Sr. Maximino vendo
o que “se passa” por Realeza
 À noite
Nas noites realezenses, o calçadão também é muito freqüentado, mas, desta vez, por jovens. Em conversa com o Comunica, a universitária Ângela Roman, de 20 anos, conta o porquê de ela e seus amigos estarem por ali: “Ficamos aqui, porque não tem um bar que permaneça aberto até tarde e não nos expulse dele, pois é tradicional aqui em Realeza os bares fecharem cedo”. Inconformada, ainda diz: “Nos bancos da praça ‘era’ permitido ficarmos tocando violão, mas agora não podemos mais”.

Realeza, por ser uma cidade pequena, ainda não está adaptada à rotina de uma cidade grande, ou à rotina de uma cidade universitária: “Procuramos o calçadão para tentar fazer algo que nos tire da monotonia. Estamos buscando diversão, já que a cidade não nos oferece opções de lazer. Reunimos a galera para tomar tererê, chimarrão e tocar violão, mas, infelizmente, nos últimos tempos, nem isso mais está sendo permitido por aqui. No geral, o calçadão, é um lugar excelente para dar uma descontraída”. O acadêmico que conversou com o Comunica foi Jonathan Agnes, de 19 anos.

Na madrugada

Sim, na madrugada também há gente sentada pelo calçadão. Bruna Gehlen, 22 anos, universitária, dá um depoimento: “morei anos em frente ao calçadão, então, sentar aqui para conversar com os amigos era algo bem comum para mim. A maioria das pessoas, quando sai das festas, passa pelo calçadão para ir para casa. Acho que por isso é meio que um ponto de encontro da galera”. O Comunica perguntou o porquê de ela estar ali na madrugada: “durante a madrugada, é um horário mais tranqüilo, principalmente nos fins de semana. Gosto de ficar aqui com os amigos conversando e contando piadas”.

Sarajane Marciniak, 20 anos, universitária, explicou os motivos de estar até tarde pelo calçadão. Contou algumas histórias: “geralmente, acabamos parando aqui no calçadão durante a madrugada, logo após chegarmos de alguma festa. Aqui no calçadão, podemos sentar e comentar com os amigos o que aconteceu durante a noite”.

Foi pedido o que ela achava dos bancos, e ela afirmou: “os bancos são ótimos. Sempre utilizamos eles para sentar, tomar tererê e conversar com a galera. Algumas vezes tocamos violão durante a madrugada, mas estamos parando com isso, pois é freqüente a chegada da polícia acabando com a nossa diversão”.
                                      
                                                                                                    Will Cândido
 Da esquerda para a direita, Luciana,
 Sarajane, Kerlly, Thaís e Yuri

É vista a variedade de pessoas que costumam ficar pelo calçadão realezense, sentadas em seus bancos. É notável a variedade de idades das pessoas que o frequentam e de horários em que cada uma costuma se sentar. Muito provavelmente, os jovens que se sentam à noite não têm a menor noção dos idosos que se sentam pela manhã. Os assuntos e os motivos pelos quais estão sentados lá são completamente diferentes uns dos outros. Essa é a variedade presente no calçadão realezense.

Projeto de extensão da UFFS envolverá professores e alunos do ensino básico

Por Vanessa Pagno (Ciêcias/UFFS-Realeza)

Nas duas últimas edições, o Comunica já publicou algumas reportagens sobre os projetos de extensão universitária, que estão sendo desenvolvidas pela UFFS, Campus Realeza, no ano de 2011. Entre esses está o projeto do professor Ms. Júlio Murilo Trevas intitulado "atividades demonstrativas e interativas como apoio à Educação Básica". Este projeto tem como objetivo fazer uma articulação entre acadêmicos do curso de licenciatura em ciências e os alunos de Educação Básica.

Essa articulação dar-se-á através de atividades práticas ou demonstrativas – jogos, experimentos, dinâmicas, gincanas e vídeos – atividades essas que serão desenvolvidas de acordo com os recursos disponíveis, buscando envolver as disciplinas de Biologia, Física e Química. O projeto visa, ainda, promover interações entre os participantes, permitindo a compreensão de conceitos que parecem abstratos, estimulando a relação entre teorias e fenômenos observados no cotidiano, despertando a curiosidade científica, para, com isso, aprimorar a capacidade de observação e apurar o senso crítico.

A partir das atividades do projeto, serão elaborados materiais em formato hipertexto, para uso na Educação Básica e no curso de licenciatura em ciências. Além disso, também será feita uma síntese sobre as atividades e sua implementação, que será usada como referência em disciplinas do próprio curso de licenciatura em ciências.

O professor Trevas explicou que primeiramente os acadêmicos envolvidos no projeto, participarão de um curso preparatório com um químico e um biólogo da Unicentro (Universidade do Centro-Oeste do Paraná), de Guarapuava, para que eles possam, mais tarde, compartilhar seus conhecimentos, através de atividades demonstrativas e interativas, com os alunos do ensino básico. Também será disponibilizado um curso preparatório para os professores de ensino básico para que eles possam auxiliar seus alunos no desenvolvimento das atividades.

O professor Trevas salienta também que "após o término do trabalho com os alunos do ensino básico, será trabalhado com os demais acadêmicos do curso de licenciatura em ciências da UFFS, para que haja um retorno de conhecimento para a universidade" .

Todos os participantes do projeto, quatro voluntários e um bolsista, são do curso de licenciatura em ciências e estão na terceira fase. Denise Felicetti é voluntária do projeto e disse que ele "vai contribuir muito como extensão, na universidade, e também vai ser muito produtivo para os participantes do projeto ". Suelen Aparecida Felicetti é bolsista e destacou que "o projeto é muito interessante, pois terá um retorno muito grande, terá aproveitamento não só por parte dos alunos da universidade, mas também por parte dos professores e alunos da Educação Básica".

Como uma das principais causas da UFFS é interagir com a comunidade, os projetos de extensão visam estabelecer essa relação, proporcionando aos acadêmicos conviver mais de perto com a realidade, podendo suprir dificuldades que vierem a ocorrer durante o curso, e à comunidade aproveitar, da melhor maneira possível, os conhecimentos que são gerados dentro da universidade. Dessa forma, mostra-se a todos como uma instituição de ensino pública, que é o caso da UFFS, é tão importante para a região.

Deputado Federal visita UFFS

Assis do Couto esteve no Campus Realeza para dialogar com a comunidade acadêmica

Por Jéssica Pauletti (Ciência/UFFS-Realeza)

Em visita à cidade de Realeza, na sexta-feira passada, dia 1º de abril, o deputado federal Assis do Couto (PT) teve a oportunidade de conhecer as instalações provisórias da UFFS, bem como conversar com os representantes da direção e dos acadêmicos sobre a construção da nova sede, quanto aos cortes estabelecidos pelo governo com viagens e locomoções, a respeito das dificuldades que os acadêmicos estão enfrentados pela falta de infraestrutura, entre outros assuntos de importância para a comunidade universitária.

                                                                                          Ivonei Gomes/UFFS
 Diretor João Braida com o deputado
Assis do Couto no Campus

Em conversa com o Comunica, o deputado federal disse que a principal finalidade da visita ao Campus Realeza foi ter a possibilidade de ouvir a todos e conhecer mais de perto as dificuldades, para que desse modo possa ajudar no que for da alçada do seu cargo. Esses auxílios podem ser reivindicados por intermédio do vereador realezense Jayme Taube, conhecido popularmente por “Canjica”, que é o representante do deputado no município, com o qual entra em contato para procurar solucionar os problemas dessa região.

A respeito do Decreto nº 7.446, de 1º de Março de 2011, instituído pelo Governo Federal, o deputado Assis afirma: “não se deve tratar os desiguais de forma igual”, ou seja, a UFFS não tem nem 2 anos de “vida”, e já existem outras instituições federais com muito mais tempo de existência, não é justo que o corte atinja a todas de forma igualitária, já que suas demandas são divergentes, devido ao espaço e reconhecimento nacional.

O deputado federal também foi questionado acerca da escola pública num todo, desde a fundamental até a superior. Para ele, a escola pública precisa de mais investimentos para que ela possa se fortalecer tanto no espaço em que está inserida como na formação que propicia aos estudantes.

Para terminar, Assis do Couto comenta que a UFFS foi talvez a universidade que mais teve a participação popular em sua criação e que esse era um ambiente que muitos desejavam a vários anos, sendo necessária muita luta e empenho para que ela saísse do papel e se construísse.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A dona da banca

Conheça a história da mulher que está atrás do balcão e à frente de seu tempo

Por Patrícia dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Há 53 anos, Irene Rodrigues dos Santos, a Dona Irene, chegava à Realeza acompanhada da mãe, avós e tios.

Após a separação dos pais de Irene, em Francisco Beltrão, a família decidiu adquirir terras na região do Município de Realeza. Viajaram todos a cavalo, homens à frente desmatando e abrindo caminho para que os demais pudessem passar com o gado e os condimentos que traziam para o consumo próprio. Ao chegarem, viviam daquilo que produziam, da caça, de frutas silvestres, e, quando necessário, procuravam o comércio mais próximo, que ficava na comunidade de Sarandizinho, próxima à cidade de Ampére, tendo de passar a noite na casa do próprio comerciante, já que era impossível realizar a viagem de ida e volta no mesmo dia.

Diferente de seus quatro irmãos, a menina Irene nunca se conformou em crescer sem a presença do pai. Sua infância foi desenhada à sombra da responsabilidade precoce. Aos seis anos Irene cuidava da irmã, que necessitava de atenção especial, para que sua mãe pudesse trabalhar. E em seu mundo de brinquedo, criança que era, cuidava de bonecas de pano, já que sabia bem como o fazer.

Além disso, naquelas terras era possível voar ao balanço de cipós, era possível ouvir o som de cada gota de água no silêncio das pescarias e lá longe, no vizinho, ouvia-se o povaréu ao redor do rádio que contava as notícias da região e, finalmente, brindava seus ouvintes com músicas de raiz.

A mãe casou-se novamente, mas foi traída pelo marido que lhe roubou a assinatura para vender seu pobre patrimônio a um empresário de uma cidade próxima. Foram muitas viagens sobre cavalos, noites dormidas à beira da estrada em paióis e cafés preparados à luz do fogo que crepitava entre um amontoado de pedras. Isso tudo para chegar à cidade de Santo Antônio, que apesar de levar nome de Santo que recupera o que foi perdido, esse advogado nada pôde fazer.

Irene e família foram despejados, retirados de seu lugar pelo exército que, a pedido do novo proprietário, não permitiu que levassem nem a comida que há muito era estocada. A mãe foi tirada de dentro de casa sobre duas tábuas, já que adoecera e mal conseguia andar.

Apesar do peso da mão do destino sobre suas costas, a família pode contar com a leve, mas segura, mão amiga estendida por um senhor. Ele, penalizado pela realidade daquelas vidas, os acolheu em um galpão e os ajudou durante um ano, tempo suficiente para que se restabelecessem.

O tempo passou e aos treze anos Irene decidiu fugir com o homem que prometera levá-la de sua casa. O casamento durou vinte anos, em meio a dificuldades financeiras, falta de estabilidade de moradia e o reencontro da agora mãe de família com seu pai, que a partir de então muito lhe ajudou.

Irene teve três filhos. Trabalhou em um parque de diversões, lavou roupas de trabalhadores nas pedras de um rio, foi sacoleira, viajou para vender carteiras e semijoias em rodoviárias, porém, apesar da ausência necessária, sempre se preocupou com a educação dos filhos que ficaram com a avó, em Realeza.

Um dia, em 1979, uma mulher chamada Eva, dona de uma livraria, a procurou para lhe fazer um convite: trabalhar em uma pequena banca de jornais e revistas em frente à Catedral. Irene aceitou prontamente, pois o emprego lhe possibilitaria continuar vendendo seus produtos ali mesmo, na banca. Após dois anos, deixou de ser funcionária e passou a ser a proprietária de seu próprio estabelecimento pago em dez prestações. Após dezessete anos de trabalho no mesmo estabelecimento, o prefeito em atividade pediu para que Dona Irene aumentasse sua banca. E assim ela o fez, encomendou sua nova banca, na cidade de Santa Isabel do Oeste.

A partir daí, a banca se tornou parte do Município de Realeza. A proprietária dizia que ali era lugar de cultura e, por isso, decidiu estudar. Completou o segundo grau, passou no vestibular de Administração e só não frequentou o curso por não ter sido autorizada por seu segundo marido, que veio a falecer mais tarde. Há cinco meses, Dona Irene casou-se com o professor aposentado Nelson Lemes, o qual conheceu ali mesmo, na banca.

A conhecida banca de jornais e revistas de Realeza completará, no dia 18 de maio, 32 anos. Após tantos anos, tem-se a impressão de que a banca passou a fazer parte de Dona Irene e Dona Irene é parte da banca. É como se ambas se fundissem numa coisa só. Trata-se de um personagem atuante no cotidiano de uma cidade. Cidade esta que cresce perante seus olhos.

                                                                                           Patrícia dos Santos
 Dona Irene: “Sou muito feliz e gosto do meu trabalho,
tenho muitoorgulho de ser realezense. As amizades que
fiz e faço todos os dias são valiosas. Vou continuar aqui
até quando Deus quiser”.

COMUNICA RECEBE: Sr Gentil

A voz por trás do rádio
A história do radialista que alegra as manhãs realezenses

Por Will Cândido (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)
Fotos: Maysa Lora

Em 1949, na cidade de Tupanciretã, no Rio Grande do Sul, nasceu Gentil Antônio Menegazzi. Dono de uma bela voz marcante e de um talento imensurável, ingressou no rádio aos 20 anos de idade.

No fim da década de 1960, mudou-se para o Paraná, residindo por alguns anos na cidade de Planalto. Em seguida, foi para a cidade de Capanema, onde trabalhou na Rádio Capanema por 6 anos. Recebendo uma proposta de trabalho mais vantajosa, saiu de Capanema mudando-se, então, para Realeza, onde vive até hoje.

Sr Gentil conta ao COMUNICA, de maneira detalhada, experiências que viveu e que marcaram a sua vida durante esse percurso. Conta que fez inúmeras apresentações de festivais: foi praticamente um recordista em participar de júris de concursos de beleza. “Esse era o momento de ser visto, pois, no rádio, as pessoas apenas nos conhecem pela voz, não tendo idéia de como seria o rosto por trás daquelas palavras”. Em 1982, recebeu um prêmio de Honra ao Mérito, por exercer esse papel de apresentador e jurado sem cobrar nada.
                                                                                                    
 Recebendo o Comunica, Sr Gentil fala sobre
 sua trajetória no rádio


Quando se mudou para Realeza, na época era uma cidade muito pequena, e ficou encantado com a forma da cidade, por ser totalmente planejada.

A empresa Casaca, aqui situada, estava em seu auge. Sr Gentil diz que a empresa em si chegou a ter 1200 funcionários, os quais traziam consigo a família. Recorda-se de que, em um de seus programas de rádio na década de 1970, a empresa Casaca era reconhecida como “a maior exportadora de parquet da América do Sul”. Realeza tinha uma potência em suas terras.

A construção da Faculdade CESREAL em Realeza foi mais um fato marcante, principalmente em termos físicos, pois, em 2001, com a primeira turma de Universitários da CESREAL, Realeza contava com a chegada de gente nova para a cidade, tanto professores quanto universitários de cidades vizinhas.

Outro fato que o Sr Gentil considera de suma importância para a cidade foi a implantação da UFFS: “considero que a vinda da UFFS para Realeza, é um progresso. Gerou e está gerando uma expectativa otimista para o município, tanto no ramo da construção civil, como para o comércio e o lazer. Por ser uma universidade federal, já está trazendo consigo professores e alunos vindos de diversas regiões do país, e isso tende a cada ano aumentar o número de habitantes do município”.

O atual programa de rádio do Sr Gentil acontece de segunda a sábado das 7h às 9h30min da manhã. É um programa de variedades, em que são tocados todos os tipos de músicas, “desde Elvis até Amado Batista”, conforme cita Sr Gentil. Tem horóscopo, notícias do Brasil e do mundo, esportes, entrevistas, e também faz um papel de ajuda social: “a população que necessita de alguma coisa vai lá e diz o que está precisando, desde fogões, geladeiras até carrinhos de bebê. Eu divulgo no programa e, assim, sempre conseguimos doações, empregos e ajudas para os mais necessitados”.


Gentil Menegazzi, radialista

No ano passado, Sr Gentil completou 40 anos no rádio, ganhando um certificado de Honra ao Mérito. Finalizando a entrevista, diz: “Encaro o rádio como uma espécie de idealismo para fazer novos amigos. Nunca fui de criticar, fazer radialismo crítico. Em todos esses 41 anos de profissão, nunca tive inimizades, nem processos. Até quando narro o futebol, procuro sempre ver apenas as partes boas e de igual para igual”.

Alunos da UFFS movimentam-se para mudanças de novo decreto

Decreto n° 7.446 limita recursos para instituições e afeta necessidades de acadêmicos

Por Charline Barbosa (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

No dia 1° de março de 2011, foi aprovado o decreto n° 7.446 da Constituição da República que implica na limitação de valores constantes a diárias, locomoção e despesa com passagens, aplicando-se “aos órgãos, aos fundos e às entidades de Poder Executivo, integrantes dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social”, conforme consta na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Estabelecidas as limitações dos gastos às instituições, vale ressaltar que existem exceções, as quais envolvem os “créditos extraordinários abertos e reabertos no exercício de 2011; e recursos de doações e de convênios”, também constante na Constituição. Enfatiza-se, ainda, no referente decreto, a suspensão de recursos que envolvem locação de imóveis; aquisição de imóveis; reformas de bens imóveis; aquisição de veículos; locação de veículos, bem como a locação de máquinas e equipamentos.

Com a aprovação deste novo decreto, a Universidade Federal da Fronteira Sul, UFFS, e outras instituições federais estão sendo afetadas, e poderão recorrer ao Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão. Mediante apresentação de justificativa, poderá ser alterada, ajustada, remanejada e ampliada a solicitação para mudanças e atendimentos necessários.

A maior preocupação levantada pelos acadêmicos do campus Realeza, gira em torno da necessidade de aulas práticas em laboratórios. Pelo fato de as instalações da UFFS serem provisórias, a instituição ainda não conta com estes recursos, havendo necessidade do deslocamento dos acadêmicos a outras cidades para realizarem as aulas práticas.

Cientes deste decreto e tentando reverter está situação, alunos da UFFS já estão se movimentando. Com o consentimento de todos os acadêmicos, foi enviada uma carta ao reitor da Universidade, Prof. Dr. Jaime Giolo, ao Diretor do Campus de Realeza, Prof. Dr. João Alfredo Braida, e ao Ministério da Educação contendo assinaturas dos acadêmicos que estão de acordo com a desaprovação conjunta deste decreto.

O envio foi decidido na assembleia que se realizou no dia 29 de março nas dependências da Universidade e a carta enviada no dia seguinte. Até a presente data, o campus não obteve resposta, pois o prazo pedido pelos acadêmicos é de, no máximo, 7 dias após o envio da carta.

O teatro na socialização com o meio rural

Por Tiély Pedroso (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Dentre as atividades ocorrentes nesse ano letivo de 2011 na UFFS, 13 projetos de extensão estão em andamento. Dentre eles está o projeto intitulado O teatro como ferramenta lúdica de sociabilidade, o qual tem como coordenador o Prof. Ms. Aparecido F. Bertochi dos Santos que relatou ao Comunica o surgimento desse projeto de extensão.

Já em atividade na cidade de Realeza, o grupo teatral Art`Manha, coordenado por Francieli Roberta Adames Kusniewski, desde o ano passado já desenvolvia, em parceria com a UFFS, atividades culturais de encenação teatral com acadêmicos. Esse ano, essa parceria amadureceu e concretizou-se ainda mais por meio de um projeto de extensão da universidade.

O projeto tem como objetivo promover a interação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) com as pequenas propriedades rurais de Realeza sendo que as atividades lúdicas desenvolvidas, por meio de teatro, têm o mote temático ligado ao cotidiano familiar rural, e serão realizadas em 7 das 32 comunidades rurais.

Além dessas atividades, o projeto também abordará questões relacionadas a boas práticas de higiene na produção de leite, práticas de ordenha, temas esses que se relacionam com o curso de medicina veterinária e, por isso, o projeto é destinado a esses estudantes, mas não só, estando aberto à participação de outros acadêmicos que se interessarem.

No desenvolvimento desse projeto, visa-se atingir um público de 350 pessoas, constituído, basicamente, de famílias de produtores rurais. Para a sua realização, o professor Bertochi ressaltou a necessidade de participação de alunos voluntários; são sete vagas que ainda não foram preenchidas. Além disso, o projeto já conta com um bolsista.

O bolsista terá que desenvolver um levantamento bibliográfico com base, especialmente, nas obras de Plínio Marcos, pela importância que estas possuem para o teatro popular e por envolverem a possibilidade de participação dos espectadores no espetáculo, enquanto atores coadjuvantes, facilitando a compreensão do público. Além disso, o bolsista ajudará na manutenção e na montagem do que for usado para as apresentações de teatro.

O bolsista e os voluntários, na apresentação das peças teatrais, terão que se disponibilizar durante os finais de semana para realização das encenações. O projeto tem a aluna Gisele Dyba, do curso de Medicina veterinária, como bolsista, e espera a participação de voluntários. A interação dos acadêmicos com esses produtores rurais é importante para promover a socialização de conhecimentos e aprimoramento sócio-cultural e político dos pequenos produtores rurais por meio da atividade cultural. Se você tem interesse em participar, entre em contato com o professor Bertochi pelo e-mail: f.bertok@gmail.com.

Primeiros passos para a “casa própria”

Leitura Pública na UFFS/Realeza prima pela infraestrutura da nova sede

Por Jéssica Pauletti (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Na quinta-feira, dia 24 de março, às 9h00, ocorreu no auditório da UFFS Campus Realeza, a primeira sessão de leitura pública sobre os projetos envolvendo a infraestrutura do campus definitivo da universidade. Esse ficará entre as cidades de Realeza e Santa Izabel do Oeste, com acessos tanto pela Rua do Seminário quanto pela rodovia PR-182. Na ocasião estavam presentes autoridades relacionadas com a implementação da nova sede, dentre eles o prefeito municipal Eduardo Gaievski, o engenheiro Alexandre Horiye da empresa Drenatec Engenharia Ltda., o coordenador administrativo do campus Ms. Jaci Poli, o diretor do campus João Alfredo Braida e o secretário especial de Obras da UFFS, Paulo Roberto da Luz.

Com uma breve explanação sobre os projetos que serão executados no campus, o secretário Paulo da Luz afirmou que para o início do ano letivo de 2012 deverão estar prontos o bloco A de 4 andares que vai comportar salas de aula, de professores e setores administrativos, além de 3 pavilhões de laboratórios didáticos, com aproximadamente 1200 m2, para atender os cursos de graduação.Na sequência, o engenheiro Alexandre tomou a palavra e explicou de forma mais detalhada a planta infraestrutural do campus, como a captação das águas pluviais, tratamento do esgoto, distribuição dos prédios, vias internas, acessos e projeto paisagístico. Após esse momento, foi aberto um período para que os participantes pudessem colaborar com perguntas ou sugestões acerca do assunto.

Ao final do evento, o secretário de Obras conversou com o Comunica a respeito de assuntos que não foram enfatizados na leitura. Ele frisou que em nenhum momento foi dito que no início do ano de 2011 alguma obra estaria concretizada, pois a licitação do Bloco A e dos laboratórios só foi feita em novembro. Ele espera que para o começo do ano letivo de 2012 essas construções estejam finalizadas, mas caso isso não aconteça haverá ampliação dos espaços provisórios. Afirmou, ainda, que a responsabilidade maior em fiscalizar as obras é do Engenheiro Cristiano Loureiro, da UFFS, mas os alunos podem acompanhar o processo.

O secretário foi questionado, também, sobre a construção dos prédios do Restaurante Universitário e Moradia Estudantil. Ele afirma que os projetos já estão licitados e em maio ocorre a elaboração, mas não há recursos disponíveis para que sejam licitadas as obras. Ele finaliza apontando que obras da área do lazer serão realizadas, como quadras abertas, porém ginásio e piscina são muito caras para o momento.

Em nome da direção do Campus Realeza, o coordenador administrativo Jaci Poli garantiu que a direção está tomando todas as medidas necessárias para agilizar o processo de construção, há sempre o contato com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Prefeitura Municipal e Reitoria, fazendo negociações em todas as etapas.

Questionado sobre um possível atraso das obras para o início do ano de 2012, Jaci Poli informa: “Caso o atraso ocorra, o espaço ampliado no local provisório deve ser previsto com bastante antecedência, porque deverá dar todas as condições necessárias”.

Sobre a leitura, ocorrida pela manhã, ele diz que não houve uma ampla divulgação para os acadêmicos, revelando um erro mobilização, mas que isso pode ser solucionado através da comissão de acompanhamento das obras no campus, formada pelo engenheiro Cristiano Loureiro e professores representantes dos cursos e a aluna Danielle Vieira pelo Diretório Acadêmico. Segundo Jaci, essa comissão pode, em um outro momento, repassar as informações da leitura pública para os acadêmicos, coletando sugestões por parte dos alunos.

Para finalizar, o coordenador administrativo esclareceu as cinco etapas do projeto infraestrutural, o qual permitirá saber como será o campus definitivo: a primeira etapa, já finalizada, foi o programa de necessidades; agora ocorreu essa primeira leitura pública que divulgou o que já havia sido pensado anteriormente e que pode ser acrescentado, já que é um estudo preliminar; depois vem o anteprojeto; por penúltimo o projeto básico; e por fim o projeto de execução. Todas essas etapas devem estar finalizadas em 24 de julho de 2011.

                                                                                           Ivonei Gomes/UFFS
 Da esq. para a dir.: Jaci Poli, Eduardo Gaievski,
João Braida e Paulo da Luz.