sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Percorrendo caminhos na educação ambiental

A trilha da UFFS permitiu uma visão ampla da vida ecológica com propostas concretas de educação ambiental

Banner que indicava o local da trilha.

Por Ângela Roman e Jéssica Pauletti (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)
Fotos: Christiano Castellano/UFFS

Durante a ExpoReal (Exposição comercial, industrial, agropecuária e gastronômica de Realeza), que se realizou nos dias 12 a 15 de novembro, os visitantes puderam participar de uma trilha ecológica. A trilha aconteceu juntamente com a exposição municipal e ficou aberta ao público das 10h da manhã às 22h da noite.

A idéia da trilha surgiu para que se pudesse utilizar o espaço de mata nativa do parque de exposição onde funciona a EXPOREAL, para a conscientização e educação ambiental. O projeto desenvolveu-se a partir de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a Universidade Federal da Fronteira Sul, com a supervisão da Profa. Ms. Caroline Voltolini. Após várias discussões, definiu-se que a trilha estaria voltada à conscientização dos visitantes e à educação ambiental.

O trabalho foi intenso desde os preparativos. Nesse primeiro momento, houve a necessidade da produção de materiais e, também, do aprimoramento dos já existentes, como as maquetes dos colégios municipais, cedidas pela prefeitura.

Com o intuito de esclarecer a problemática ambiental aos visitantes, a trilha foi monitorada por acadêmicos da UFFS. Jéssica Pauletti, Maiara Vissotto, Edson Frozza, Maiara Fantinelli, Raquel de Mello, Gelson Marques, Juan Fernando Corrêa, Marcelo Mistura, Avelino Delto Mathias, Mateus Jandrey, Jean F. Gomes, Tatiana Palinski, Willian Cândido, Mariza Martins, Julia Duarte Rambo, Fernanda C. Morgan, Raiani Brasnieski, Anderson F Rodrigues e Dalila Fabiane Gonçalves, do curso de Licenciatura em Ciências, e Ângela T. Roman, de Medicina Veterinária, orientaram o percurso.

Profa. Caroline Voltolini (à esquerda, sentada), Diretor do campus Realeza
 João Alfredo Braida (à direita, em pé), e acadêmicos inauguram a trilha. 

Dentro da programação da Trilha aconteciam apresentações artísticas do grupo de Teatro da UFFS. Com elas, buscava-se enfatizar questões apresentadas em cada etapa da trilha por meio da declamação das poesias.

Na primeira etapa, denominada “A natureza”, a água estava sendo representada como líquido da vida. Tentou-se evidenciar as relações harmônicas existentes na natureza, com ênfase às árvores nativas, como a Araucária, que possui papel importante no contexto histórico da região.

Essa árvore deve estar presente na preservação dos rios, formando as matas ciliares. A importância dessas matas está no fato de que podem formar corredores ecológicos por onde os animais transitam livremente, facilitando a reprodução e, consequentemente, a existência da espécie. Nessa parte da trilha estavam as atrizes Josiane Portigliotti e Riani Brasnieski, com a poesia “A natureza em sinfonia”.

Para que essa etapa expressasse com maior legitimidade a harmonia da natureza, expuseram-se animais empalhados tomados de empréstimo do Parque Nacional de Foz do Iguaçu. Eram oito: Tamanduá, Cachorro do mato, Quati, Gato do mato, Jacaré, Tatu, Irara e Jaguatirica.


Quati e araucária, árvore típica da região.

Encerrando essa etapa, estava exposto um painel com poesias e figuras sobre o meio ambiente. Elas procuravam expressar que o homem se inspira na natureza para realizar suas obras e mostrar que ele é parte do meio ambiente; portanto, suas atitudes terão conseqüências tanto para o meio quanto para o próprio ser.

“Assim caminha a humanidade”, era o nome da segunda etapa da trilha, na qual se apresentavam os principais acontecimentos históricos homem/natureza, dentro da evolução dos meios de produção e desenvolvimento de novas tecnologias. Para expressar essas mudanças, a poesia “Você perguntará por que tentamos” era declamada por Jéssica Pauletti e Flávia Luane Rommel.

As transformações decorrentes do desenvolvimento culminaram na terceira etapa da trilha, chamada “O mundo Hoje”. O objetivo, aqui, era mostrar aos visitantes todos os problemas encontrados no planeta, como perda da biodiversidade e extinção de espécies, desmatamento e poluição, bem como a excessiva prática de monoculturas e, conseqüentemente, o uso exacerbado de biocidas para o controle de pragas.

As ações do homem provocam danos no equilíbrio ambiental; além disso, elas causam danos a sua própria saúde. Isso ocorre através de mudanças climáticas, já conhecidas por nós, ou por meio da resistência microbiana, um exemplo disso é a gripe suína (H1N1) que atinge a todos, independente de classe social. Para refletir sobre esse emaranhado de reações naturais, Francieli Adames e Tainara K. Bastos representavam a poesia “Desabafo da natureza”.

Dois caminhos eram possíveis de serem seguidos a partir deste ponto da trilha: “o caminho da destruição”, à esquerda, ou “o caminho da conscientização e conservação”, à direita. O primeiro mostrava o acúmulo de lixo e o descaso da população com o desperdício de água potável, além do uso excessivo dos combustíveis fósseis. No segundo caminho, destacava-se a separação correta do lixo em orgânico e reciclável, ressaltando a reutilização de materiais, bem como criação da composteira, local onde o lixo orgânico pode ser depositado.

Na continuação do caminho, encontrava-se a captação da água e o painel solar. Por fim, destacava-se o reflorestamento de árvores nativas e a educação ambiental. A poesia “Meio ambiente” foi proferida por William Cândido e Gabriel A. Tatsch.

Dependendo do caminho percorrido, dar-se-á o “nosso futuro pelo caminho da Destruição” e ou “nosso futuro pelo caminho da Conscientização e conservação”. No primeiro caminho, eram mostrados o aquecimento global e a desertificação, que podem levar ao extermínio da humanidade e de todas as formas de vida. Ao contrário disso, no futuro projetado no segundo caminho, eram sugeridas as cidades sustentáveis com áreas de preservação ambiental.

Finalizando a caminhada, os participantes eram provocados a pensar em que futuro gostariam de ter e eles ainda poderiam deixar uma mensagem para um mundo melhor no mural da trilha. Devido à maciça participação, foram selecionadas algumas mensagens que correspondiam à percepção do público participante sobre a importância da educação ambiental.

“Crie, faça acontecer não fique só na palavra. Você pode, basta querer!” (Mariza Martins).

“Palavras não são o suficiente, é preciso tomar uma atitude. Essa é a hora. Pode ser tarde demais, a natureza está pedindo socorro, e nós somos os culpados por isso” (Rafaelly Ló).

“A natureza é um bem dado para nosso desfrute, não para que nós as destruamos!” (Meiroeli Marioti).

“A natureza vive sem o homem, mas o homem não vive sem ela” (A. Rossi).

“Preserve a vida e a natureza, sem desperdício, acúmulo e consumo excessivo. Conserve-se” (Pâmela Roggia).

“Somente através do conhecimento é que podemos salvar e proteger o meio ambiente” (Clo).

“Meio ambiente é tudo que podemos tocar, ver ou sentir, inclusive nós mesmos, os homens. Sendo assim te peço: - Ajude-me a preservar sua própria vida” (Juan Fernando Corrêa).

“Quem mais polui o mundo somos nós... então resumindo nós somos o próprio lixo” (Gabriel A. Tatsch).

“O uso racional dos recursos naturais é fundamental para a preservação da vida no Planeta” (Carla Camila Knebel).

“A natureza pode não ser tudo, mas sem ela o resto é nada” (Francieli Adames).

“Qual o planeta que deixaremos para as futuras gerações? O que será que vale a pena, o ‘ter’ ou ‘ser’ alguém consciente” (Raquel de Mello).

“Somente seremos uma humanidade quando voltarmos a nos tratar como irmãos! Enquanto a superioridade do homem se manter seus descendentes terão um futuro incerto!” (Ana Luysa e Amanda, Uniguaçu-FAESI).

Através das frases acima, esperamos que o nosso principal objetivo tenha sido alcançado, qual seja, o de levar a educação ambiental aos participantes. Em vista da repercussão positiva desse evento e da importância de discutir a problema ambiental, houve o convite à consultoria de a trilha ecológica participar de outras exposições da região.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

25 de Novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

"Que nada nos sujeite. Que nada nos defina. Que a liberdade seja a nossa própria substância” (Simone de Beauvoir).

Por Ângela Roman (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

O dia 25 de novembro foi estabelecido como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Em homenagem às irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Tereza), esta data foi definida no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em Bogotá no ano de 1981. Elas foram assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.

Em 1991, neste mesmo dia, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres. A campanha teve 16 dias de ativismo contra violência à mulher, vindo a terminar propositalmente no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração dos Direitos Humanos. Entretanto, só em março de 1999 que o dia 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

Na esfera jurídica, violência significa “qualquer espécie de coação, ou forma de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua vontade. É igualmente, ato de força exercido contra as coisas, na intenção de violentá-las, devassá-las, ou delas se apossar”. Apesar do reconhecimento judicial, a violência está tomando dimensões cada vez maiores e visíveis, atingindo pessoas de todas as raças, etnias e classes sociais, sendo manifestada na família, no trabalho, nos lugares de lazer, na rua, no poder público, nos espaços religiosos...

A violência tem como alicerce a estrutura social em que vivemos, na qual toda a forma de opressão e agressão é uma prática justificada pelo sistema. Contudo, trata-se de uma prática silenciosa que, mascarada, humilha as mulheres pelo simples fato de serem mulheres.

Não sendo suficiente, usa-se a imagem da mulher para fins comerciais, padronizando corpo, comportamento, roupas, estilos e, inclusive, a alimentação. Esse caráter multifacetado da opressão destrói os sonhos e a dignidade das mulheres, as quais, desde crianças, através da educação tradicional, são submissas à dominação masculina e limitadas aos arredores de uma casa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os dados são alarmantes em nosso país. Eles revelam que a violência atinge uma faixa de 10% a 65% das mulheres, sendo essa ocorrência no âmbito doméstico, pelo marido, pai, tio, padrasto, irmão...

As conseqüências da violência para a nossa vida são graves. Manifestam-se na culpa, na vergonha, na agressão física, e no medo de reagir e de se colocar como mulher capaz de transformar esta situação e construir um outro mundo. Alguns tipos de violência podem ser citados:

Violência da opção sexual: caracterizada pelo menosprezo de lésbicas e bissexuais. Ela não tem fronteira, acontecendo em todas as classes sociais, religiões, idades e espaços.

Violência pela sobrecarga do trabalho: manifesta-se através da sobrecarga do trabalho da mulher; além de ela ser responsável pela contribuição financeira em casa, cabe a ela as “obrigações de mãe e esposa”, como a responsabilidade do trabalho doméstico, o cuidado e educação dos filhos, sendo que essas ações não são reconhecidas. Além disso, lhe é negado o direito de decidir.

Violência pela desvalorização e condição social: é expressa na dificuldade que a mulher tem de estudar, de adquirir seus documentos pessoais e profissionais, no não acesso à saúde e à informação.

Violência física: são as agressões físicas que começam com tapas e puxões de cabelo e acabam em espancamento e, muitas vezes, em morte. A violência física acontece com maior incidência no espaço familiar.

Violência moral e verbal: repetidas agressões verbais que acabam destruindo a auto-estima da mulher. A violência moral acontece quando a mulher é caluniada, injuriada ou difamada, principalmente no âmbito doméstico.

Violência psicológica: manifesta-se pela imposição do medo, por apresentar-se de foram sutil; é a que ocorre com mais freqüência, sendo a mulher criticada e comparada, seja no aspecto físico ou social. Ela é impossibilitada de sair de casa e de cultivar amizades, situação que, no futuro, poderia vir a prejudicar o opressor através da denúncia.

Violência Sexual: quando a mulher é obrigada, através do uso da força ou ameaça, a manter relações sexuais contra a sua vontade. A violência sexual ocorre em grande parte dentro do espaço familiar e é praticada por homens em quem as vítimas possuem grande afinidade e/ou confiança (pais, companheiros, irmãos, etc), revelando que as mulheres não têm o direito de decidir sobre seu corpo e o seu prazer, sendo passíveis, inclusive, da realização de aborto.

Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição. É produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.

Violência institucional - tipo de violência causada pelas desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e se institucionalizam tanto nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como, também, nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.

No dia 7 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei 11.340/06 – A Lei Maria da Penha, que tipifica os crimes de violência contra a mulher e possibilita que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada no caso de ameaçarem a integridade física da mulher. A Lei prevê, ainda, medidas de proteção para a mulher que corre risco de vida, como o afastamento do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação física junto à mulher agredida e aos filhos(as).

Contudo, muito ainda tem que ser avançado. Estima-se que hoje metade das mulheres agredidas sofrem caladas, e é bem provável que a outra metade não se dê conta da agressão. Tem-se que o medo e a vergonha são mecanismos evidenciam esses índices.

A violência contra as mulheres afeta toda a estrutura familiar através de marcas de sofrimento que atravessam gerações, através de traumas e síndromes que toda a família violentada pode desenvolver.

A limitação da mulher não é só um problema social e emocional como um setor isolado, e sim econômico e de desenvolvimento, pois quando a mulher é violentada é também impedida de produzir e progredir.


“A luta contra este flagelo exige que abandonemos uma maneira de pensar que é ainda demasiado comum e está demasiado enraizada e adotemos outra atitude. Que demonstremos, de uma vez por todas que, no que toca à violência contra as mulheres, não há razões para ser tolerante nem justificações toleráveis” (Kofi Annan, secretário-geral da ONU, 2006).

Dia Nacional da Consciência Negra e a política de cotas

Por Leandro Hillesheim (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Na sexta feira, dia 20 de Novembro, comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, data escolhida em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares em 1695. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares, povoado formado por escravos refugiados situado na Serra da Barriga (AL), símbolo da resistência à escravidão. Esta data procura lembrar a resistência e o sofrimento dos negros ao longo da história do Brasil e sua busca pela garantia dos seus direitos.

Hoje, a garantia de igualdade é estabelecida pelas leis, mas práticas de discriminação continuam ocorrendo. Dentre estas leis, a mais polêmica é a lei que determina a destinação de cotas para negros nas universidades, pois se acredita que, desde a marginalização no período da escravidão, os negros não conseguiram conquistar os mesmos espaços de trabalho que os brancos.

Esse assunto gera opiniões opostas em toda a sociedade. São vários os argumentos contra e a favor o sistema de cotas. De um lado, os defensores da política de cotas afirmam que a dívida do país com os negros ainda não foi paga e que esta é uma forma de reduzir as desigualdades sociais entre negros e brancos. De outro, estão aqueles que se sentem prejudicados por suas chances de passar no vestibular ficarem menores e por estarem pagando por políticas mal elaboradas no passado.

Mas será que esta separação não é um ato racista? Muitos defendem que sim, pois discriminar a destinação de parte das vagas para pessoas com um determinado fenótipo é uma forma de exclusão. O argumento defendido é de que as cotas não são a solução do problema da desigualdade, ou seja, não se deve separar o que é para os brancos, os negros, etc. Sabe-se que o racismo no Brasil é fato, mas não há nenhuma garantia que substituir responsabilidades econômicas para uma causa social resolverá o problema. Não se pode transferir o descaso da educação pública para um problema racial.

O que precisa ser feito é resolver a questão econômica e, por isso, as divisões especiais no processo seletivo devem ser feitas a partir de questões socioeconômicas, e não levando em conta a questão racial. Contrário a isso, muitos defendem que as cotas para alunos negros nas universidades públicas podem compor um conjunto de medidas práticas, efetivas e imediatas que apontem para o fim das desigualdades raciais na sociedade brasileira.

Divergências à parte, esta data é de grande importância em nosso país, visto que é celebrado o orgulho dos afro-descendentes, a cultura, a resistência destes no período da escravidão e a constante luta contra o preconceito.

1º de dezembro, um dia que precisa ser lembrado sempre

A AIDS é uma doença responsável por infectar milhares de pessoas todos os dias.


Símbolo da campanha existe desde 1991.

Por Jéssica Pauletti (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

O dia 1º de dezembro foi consolidado, em outubro de 1987, como o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Essa data foi instituída pela Assembléia Mundial de Saúde, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal fato serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo vírus HIV/aids, bem como para despertar a consciência em relação à necessidade da prevenção. No Brasil, passou-se a comemorar esta data em 1988, por decisão do Ministério da Saúde.

A cada ano, diferentes temas são abordados, destacando aspectos que estejam relacionados com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Já foram discutidas questões sobre a infecção de mulheres e crianças, sobre a convivência da família com o portador da síndrome e também sobre a importância da união de forças, ou seja, do envolvimento de toda a sociedade em prol da luta contra a propagação do vírus.

O símbolo de solidariedade e comprometimento, que representa a campanha de luta contra a AIDS, existe desde 1991 e foi criado por um grupo de profissionais de arte, de Nova Iorque, componentes da organização Visual Aids. A criação deste símbolo procurava homenagear os amigos que haviam morrido ou estavam morrendo em decorência desta doença. O laço vermelho foi escolhido por causa de sua ligação ao sangue e à idéia de paixão, e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.

Mobilização contra aids em Realeza

Por conta da importância da data, o Comunica conversou com a enfermeira Talita Tremea, que nos falou sobre o que irá acontecer em Realeza. A Secretaria de Saúde, em parceria com a Pastoral da Aids, fará uma mobilização na próxima quarta-feira, dia 01 de dezembro de 2010, no centro do munícipio, próximo à rotatória central. Nesse local, será feita a entrega de panfletos, com as orientações necessárias para os cuidados com a Aids, e entrega de camisinhas.

Além disso, segundo a enfermeira Talita, serão disponibilizados à população testes rápidos, para detecção do vírus, no posto de saúde do município. Esses testes são realizados por meio da coleta de sangue, retirado da polpa digital (ponta do dedo), ficam prontos em 15 minutos e apresentam 100% de certeza, conforme afirmou a enfermeira. Os horários para tal procedimento são os seguintes: das 8:30 às 11:30, das 13:30 às 17:00 e, por fim, das 19:00 às 21:00.

Para a enfermeira, essa data deve ser lembrada, pelo fato de "que tem-se dados que a Aids está diminuindo, e é preciso fazer essa mobilização, para que os jovens, principalmente, se conscientizem”.

Como se sabe, a Aids é uma doença muito perigosa e deve-se tomar todo o cuidado com ela. Há atualmente, com certa frequência, várias campanhas de conscientização que são realizadas em todo o país e que visam reduzir ao máximo possível o número de pessoas infectadas. A mobilização que ocorrerá aqui em Realeza é um desses exemplos e deve ganhar apoio da comunidade, para que todos os esforços feitos possam valer a pena.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

As Novas Tecnologias no Ensino de Física discutidas em Projeto de Iniciação Acadêmica



Os acadêmicos Dionemar, Willian e Mateus que participam do projeto
juntamente com o Professor Clóvis Caetano.

Por Jezebel Batista Lopes (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Realeza, conta com muitos projetos de iniciação acadêmica que estão sendo desenvolvidos com o grande apoio da comunidade universitária.

É de grande importância que os futuros professores tenham um conhecimento dos recursos que a computação lhes proporciona, pois, além de estar a cada dia mais presente nas escolas, ela pode auxiliar, por exemplo, os professores de física, quanto há falta de laboratórios nas escolas, já que há softwares que proporcionam recursos para a aplicação de experimentos científicos virtualmente.

O projeto de iniciação acadêmica, desenvolvido pelo Professor Dr. Clóvis Caetano com o apoio dos acadêmicos Willian Henrique Cândido Moura e Dionemar Bellendé (bolsistas) e Mateus Wilians Jandrey (voluntário), todos do curso de licenciatura em ciências, visa à discussão da relevante utilização dos recursos computacionais no ensino, com a catalogação de softwares e páginas da internet dedicadas ao ensino de física.

Esta pesquisa tem o propósito de fazer com que os futuros professores tornem as aulas mais dinâmicas e eficientes, com o auxílio dos recursos da computação, pois, os recursos eletrônicos tendem a despertar a curiosidade e a vontade do aluno em observar com atenção o que se está sendo ensinado pelo docente. Além disso, podem fazer com que os alunos desenvolvam, da melhor maneira possível, as atividades propostas, melhorando, assim, seu aprendizado.

O projeto está sendo desenvolvido em três etapas. Primeiramente o grupo fez a leitura e discussão de artigos científicos relacionados ao assunto. Agora, estão catalogando detalhadamente softwares e páginas da internet direcionadas ao ensino de física, para que, ao final do projeto, os discentes tenham um melhor aproveitamento em relação á leitura, compreensão e discussão de textos científicos, além de um primeiro contato com a pesquisa científica.

Como ressalta o professor Caetano, “além dos objetivos específicos do projeto, há também o propósito de familiarizar os alunos com a pesquisa científica, com o intuito de melhorar seu desenvolvimento acadêmico. Os alunos vêm demonstrando maturidade na participação do projeto e parecem bastante motivados com os resultados encontrados”.

O acadêmico Willian, em conversa com o Comunica, destacou alguns aspectos interessantes do projeto. “No projeto catalogamos aproximadamente 35 softwares sobre física. Esses softwares são úteis para alunos universitários como eu, ou alunos de ensino médio. Facilitam a resolução de exercícios de física, além de uma melhor compreensão da matéria abordada. Agora estamos em meio a uma pesquisa de sites sobre física, que tem o objetivo de ajudar na produção de trabalhos tanto acadêmicos quanto colegiais. Os sites são divididos de acordo com o seu nível de ensino, ou seja, se é útil para alunos de ensino fundamental, médio ou superior”.

Ainda em conversa com o Comunica, Willian fala sobre a importância do projeto: “considero esse projeto de grande importância na minha formação como um futuro professor de ciências, um futuro professor de física. Poderei utilizar estes sites ou estes softwares como estratégias para minhas aulas, pois acredito que os alunos aprendem bem mais a matéria quando se utiliza de recursos diferentes na educação. Para mim, esse projeto é uma navegação no mundo da física’’.

Como vimos, o projeto traz ao discente um contato com a pesquisa científica, para que ele consiga aperfeiçoar suas habilidades quanto à pesquisa e ao ensino, e, no futuro, consiga produzir projetos visando ao aprimoramento pessoal e profissional.

UFFS já tem seus representantes no Conselho Universitário

Por Eduardo dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Na quinta feira dia 18/11, acadêmicos, servidores técnico-administrativos (STAs) e professores da Universidade Federal da Fronteira Sul foram às urnas para eleger seus respectivos representantes para o conselho universitário (CONSUNI). Este conselho foi criado com a proposta de dividir as decisões da universidade com as pessoas que são diretamente atingidas por estas decisões, já que em um ambiente democrático não é possível que estas permaneçam sob a responsabilidade de uma única pessoa ou grupo de pessoas.

O resultado sequer havia sido divulgado, porém muitas especulações rodeavam as salas de aula e os corredores do campus de Realeza a respeito dos possíveis vencedores. Havia uma grande expectativa, especialmente por parte dos alunos, para saber, de fato, quem seriam os representantes do compus. Mesmo com todo esse entusiasmo, aproximadamente 25% dos acadêmicos esqueceram ou optaram por não votar. Foram candidatas a representantes discentes duas chapas: a chapa número um dos alunos Mateus Wilians Jandrey e Gabriel Francisco Cerutti Bonatto e a chapa número dois dos acadêmicos Oséias André de Lima e Márcio Rogério Plizzari. Com um total de 103 votos contra 87, a chapa vitoriosa foi a de número dois. Após a vitória, os acadêmicos Oséias e Márcio deixaram claro que vão batalhar pelo que prometeram e que vão se esforçar ao máximo para representar bem o campus de Realeza.

Entre os professores, candidataram-se seis chapas, sendo que destas, cinco se elegeram. Em primeiro lugar ficou a chapa número quatro, composta pelos professores Marcos Roberto da Silva (titular) e Sabrina Casagrande (suplente) com vinte votos. Da segunda à quarta colocação houve um empate técnico, em dezessete pontos, entre as chapas cinco (Rozane Aparecida Toso Bleil e Érika Marafon Rodrigues Ciacchi), um (Adolfo Firmino da Silva Neto e Carina Franciscato) e seis (Wagner Tenfen e Rafael Stieler). Na quinta colocação ficou a chapa número dois dos professores Aparecido Francisco Bertochi dos Santos e Emerson Martins, eles conseguiram treze votos, dois a mais que a última colocada, a chapa número três dos docentes Marcos Leandro Ohse e Lucimar Maria Fossati de Carvalho, esta a única chapa que não conseguiu se eleger, dado o fato de que o campus poderia eleger até cinco representantes docentes.

No caso dos servidores técnico-administrativos, apenas uma chapa candidatou-se para exercer sua representatividade frente ao Conselho. Esta chapa foi constituída pelos funcionários Silvani da Silva, como titular, e Josué Mendes, como suplente, que conseguiu se eleger, obtendo vinte votos. Dentre todos os campi da UFFS, o campus de Realeza foi o único que apresentou a candidatura de apenas uma chapa para a representação dos técnicos administrativos.

O que se pode notar, durante estas eleições, é que mesmo com o, relativamente, grande número de acadêmicos que não votaram, compreendeu-se a enorme importância que terá este Conselho dentro desta Universidade. Juntamente com isso, os acadêmicos preocuparam-se em eleger a chapa que apresentou as melhores propostas e que consideraram ter maior representatividade diante dos demais membros do Conselho. O que os alunos do campus de Realeza esperam é que seus votos venham a proporcionar uma grande melhora para este campus.

EJA – Educação para Jovens e Adultos

Educar é mais que reunir aluno em sala de aula, é acreditar na capacidade do ser humano.




Por Marina Maria Rodrigues e Patrícia dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

A história da alfabetização para adultos foi iniciada quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, pelos padres jesuítas. Ao longo do tempo o Brasil foi se desenvolvendo politicamente, economicamente e tecnologicamente, e com isso foi sendo exigida maior qualificação educacional.

Vieram com o desenvolvimento uma série de benefícios e de problemas, inclusive problemas educacionais que atingem grande parte da população brasileira, um exemplo foi, e é, a falta de profissionais qualificados não só no sentido da alfabetização, mas com uma noção mais ampla de mundo. Surgiram então uma série de medidas pedagógicas que são adotadas para tentar solucionar esse problema, como por exemplo a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), A Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA), o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), o Ensino Supletivo etc.

Uma questão que deve ser ressaltada é que a qualidade do ensino depende muito da relação aluno-professor, e o educador deve ter uma capacitação diferenciada, com curso para alfabetização para jovens e adultos, além de ser autocrítico em seu papel perante a sociedade.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino da rede pública no Brasil e tem como objetivo desenvolver o Ensino Fundamental e Médio, além de levar o ensino às pessoas que por algum motivo não tiveram a oportunidade de estudar. O papel do professor que atua no EJA é essencial dentro de sala de aula, pois deve compreender o aluno na sua realidade. São pessoas que aprenderam a viver em uma sociedade desenvolvida sem saber ler e escrever ou não puderam concluir seus estudos.

O EJA em Realeza

O Colégio João Paulo II é a única instituição do Município de Realeza que oferece o Ensino de Jovens e Adultos. O Comunica foi conhecer essa realidade a fim de compreender a rotina tanto dos professores, quanto dos estudantes.

A instituição dispõe de duas modalidades nesse ensino, a individual e a coletiva. Na modalidade individual, o aluno escolhe quantas matérias quer cursar e a frequência se dá conforme sua disponibilidade, ou seja, é o próprio aluno que define quanto tempo demorará para concluir seus estudos. Já na modalidade coletiva, acontecem aulas todos os dias, em turmas fechadas, e o aluno reprova por falta.

A professora Dirlene de Oliveira trabalha na modalidade individual com alunos do Ensino Fundamental e Médio. Conversou com o Comunica sobre como é a experiência de trabalhar com um número reduzido de alunos, os quais apresentam particularidades que exigem que o professor utilize mais que uma metodologia durante a aula.

Segundo Dirlene, a maioria dos alunos que frequentam o EJA trabalham durante todo o dia e por isso os trabalhos extraclasse são evitados. As avaliações também são diferenciadas, pois não são aplicadas provas: “Avalio meus alunos diariamente em cada atividade realizada”.

O Comunica conversou também com a professora de Geografia Maria Vanete Siqueira, que trabalha com o EJA há treze anos, a qual afirmou que “é mais gratificante trabalhar com o Ensino de Jovens e Adultos do que com o Ensino Regular, pois o aluno está em sala por seu interesse e mesmo respondendo dentro de seus próprios limites, suas histórias de vida ensinam muito”.

A diretora do Colégio João Paulo II, Jovana Bocchi Dengo, sintetizou a missão do EJA no ensino hoje: “É ter um outro olhar. Você tem que ter consciência que está ensinando a alunos trabalhadores e de idade entre 50 e 70 anos, ter paciência, retomar conteúdos. É um trabalho de valorização do ser humano”.

A alfabetização no EJA

A Prefeitura Municipal de Realeza utiliza o prédio do Colégio João Paulo II para oferecer a alfabetização de jovens e adultos.

Atualmente o EJA conta com uma turma de 15 alunos que é coordenada pela professora Rosane Vasileske dos Santos. A professora afirmou que o interesse dos alunos vem pela necessidade de aprender: “Há duas maneiras de se aprender, pelo prazer e pela necessidade. Esses alunos estão aqui pela necessidade e percebo o prazer que eles têm em aprender”.

A vontade de aprender vai além dos empecilhos que os alunos da alfabetização do EJA enfrentam diariamente. Um exemplo de superação é a aluna Pedrolina de Fátima, 60, que contou ao Comunica que precisa tomar conta de seu neto Gabriel, de 10 anos, e que nem sempre há alguém disponível para atendê-lo quando ela está em aula. Por isso, Gabriel acompanha a avó até o colégio e a espera no saguão até que a aula termine.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vigilância Sanitária orienta prevenção da hepatite

Salões de beleza devem adequar-se às normas

Por Leandro Hillesheim (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Nesta semana, o Comunica apresenta uma matéria de informação e esclarecimento para a população em geral, principalmente para quem reside em Realeza. O assunto abordado é decorrente dos comentários e notícias que circulam na cidade sobre a hepatite viral. Para melhor esclarecer a situação, entramos em contato com a Secretaria da Saúde e com a Vigilância Sanitária, que contribuíram com esclarecimentos.

Em entrevista concedida, a enfermeira Talita Tremer – responsável pelo setor de Epidemiologia da Secretaria de Saúde – explica que os casos detectados de pessoas infectadas com o vírus vêm crescendo desde fevereiro. “Neste ano, já ocorreram dois óbitos em decorrência das hepatites A e B juntas. No ano passado, tivemos um surto de hepatite A” Ela afirmou que a hepatite A é mais freqüente e menos grave, porém, pode ser fatal para 1% da população. O foco principal de prevenção é vírus da hepatite B.

A Secretaria da Saúde está orientando permanentemente as famílias que possuem membros portadores do vírus e, nessas famílias, é feito o exame para diagnosticar se todos estão imunes ou se a doença está se replicando. De qualquer forma, os familiares são vacinados, assim como os profissionais da saúde, gestantes e recém nascidos.

Quem falou a respeito da mobilização para a prevenção nos salões de beleza foi a bióloga da Vigilância Sanitária, Camila Eduarda Viana. Ela informou que a campanha é resultado de uma parceria entre Promotoria Pública, Vigilância Sanitária do município de Santa Isabel do Oeste e Vigilância Sanitária do município de Realeza. Num primeiro momento, a ação feita foi a convocação de todos os profissionais que trabalham na área de beleza e estética para que participassem de uma reunião com palestra, explicando como o vírus é transmitido.

A palestra, realizada no dia 26 de Outubro, contou com esclarecimentos de um farmacêutico bioquímico e de uma enfermeira de epidemiologia. Eles instruíram os profissionais para o cuidado com instrumentos pérfuro-cortantes, tais como: alicates, tiradores de cutícula e lâminas de barbear. Isso se justifica porque esses instrumentos são potenciais transmissores de doenças, como a hepatite e HIV.

No encontro, também foi esclarecida a legislação, a qual obriga os proprietários de salão de beleza a possuírem um esterilizador, ou, caso não o possuam, pedir que cada cliente leve materiais individuais. Também foi informado aos proprietários e profissionais não regulamentados que será feita uma vistoria em todos os estabelecimentos para conferir se estes estão adequados às normas. A Vigilância pretende iniciar as vistorias nas próximas semanas, com visitação de mais de 60 salões de estética e barbearias.

Questionada sobre a possível não aceitação dos proprietários de estabelecimentos e profissionais da área, Camila afirma: “A princípio, imaginamos maior, pois eles teriam que desembolsar dinheiro para fazer as melhorias. Mas eles aderiram à situação e falaram que, por não terem condições de comprar o esterilizador, eles exigiriam que cada cliente tivesse o kit.”

Camila ressalta que o município de Realeza não está com surto nem epidemia de hepatite, como há alguns comentários. Ela diz que, no ano passado, houve um surto de hepatite A, mas, nesse ano, os casos diminuíram. Quanto aos tipos B e C, apenas dois casos levaram à morte.

A hepatite é uma doença que pode ser perigosa dependendo do tipo e da gravidade. Por isso, medidas de prevenção devem ser tomadas: vacinar (no caso das hepatites por vírus A e B); usar água tratada ou fervida; lavar bem legumes, frutas e verduras; lavar bem as mãos após usar o toalete, antes de preparar os alimentos e de se alimentar; não compartilhar seringas e agulhas; usar preservativo nas relações sexuais; utilizar material de proteção, no caso de profissionais de saúde; realizar acompanhamento pré-natal para aconselhamento adequado e prevenção da transmissão; e evitar o uso abusivo de álcool, medicamentos e drogas.

Adolescência: época de amadurecimento do leitor

A biblioteca do Colégio 12 de novembro não é apenas um espaço para
leitura, mas para o desenvolvimento do aluno.

Por Marina Maria Rodrigues e Patrícia dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

O Município de Realeza conta com apenas uma escola de Ensino Médio, o Colégio 12 de Novembro. Além de Educação Geral, o colégio oferece também ensino profissionalizante nas áreas de Formação Docente, Técnico Administrativo e Técnico em Informática. O colégio tem 75 alunos entre os turnos da manhã, tarde e noite.

O Projeto Comunica foi até a instituição para saber como a prática da leitura é aplicada aos alunos do Ensino Regular. O diretor Moacir Mardei Furtado comentou sobre a forma como isso vem sendo trabalhado com os alunos. Segundo o diretor, é mais fácil trabalhar a leitura com adolescentes que frequentam as séries finais do Ensino Básico, pois há um amadurecimento e maior interesse. Afirmou que apesar de não haver nenhum projeto de leitura no colégio, os professores trabalham a leitura em sala de aula. O diretor aproveitou o ensejo para dizer que a instituição se interessa em melhorar essa realidade com um futuro projeto de leitura.

A professora Valéria Barbiero vem trabalhando a leitura no Ensino Geral e também no Técnico Administrativo. Ela comentou sobre as dificuldades dos alunos que não tem o hábito de ler. Afirmou que ela mesma direciona a leitura das turmas. Seleciona os livros e leva para a sala de aula, pois há alunos que acabam levando sempre as mesmas obras pra casa. Segundo a professora, trabalhar a literatura brasileira em sala de aula é essencial, por isso é importante guiar o aluno na hora da escolha.

A biblioteca do Colégio 12 de Novembro é rica em obras não só da literatura nacional mas também internacional, inclusive clássicos e best sellers da atualidade. A variedade de opções incentiva o aluno a descobrir vários caminhos na leitura. Além do acervo literário, a biblioteca conta com um acervo de livros para pesquisa que é utilizado não só pelos alunos, mas pela comunidade realezense. O sistema de controle de empréstimos é informatizado, o que agiliza o processo tanto na retirada quanto na devolução dos livros.

A aluna Raquel Prott, 17, que acaba de ser aprovada no vestibular de Direito na UNIVEL em Cascavel, falou ao Comunica sobre sua paixão pelos livros: “Leio bastante, desde gibis até livros científicos. Meu maior incentivo desde muito cedo foi minha família, venho de uma família de leitores”.

Livros recolhidos

Uma questão importante explanada pelo diretor Moacir foi o recolhimento de algumas obras literárias da biblioteca do colégio: “Tivemos um caso em que a aluna levou o livro para casa e, durante a leitura, verificou que continha palavras de baixo calão, o que resultou na vinda da própria mãe ao colégio para verificar juntamente à direção o que poderia ser feito”. Os livros foram enviados pelo MEC no início do ano, porém, a direção acabou os recolhendo pois julgou que estes contém expressões inapropriadas para a idade dos leitores a que se destinam.

Dentre as muitas obras recolhidas estão “O cobrador” de Rubem Fonseca e “A mulher que escreveu a bíblia” de Moacyr Scliar. Um fato interessante é que ambos são livros cobrados em vestibulares: o primeiro pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) neste ano e o segundo pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em 2008.

Este não é o primeiro caso em que livros são retirados das prateleiras por instituições que entendem que estes são inapropriados para o ensino. No Estado de São Paulo em 2009, a Secretaria da Educação determinou o recolhimento de 1.216 exemplares de um livro destinado à Educação Infantil, “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”, composto por onze histórias em quadrinhos sobre futebol. Segundo a VEJA em publicação on-line de 19/05/09, o livro “continha frases de conteúdo sexual e de duplo sentido”, não apropriados para a faixa etária a qual foi indicado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Acadêmicos e Solidariedade caminham juntos

A Universidade Federal da Fronteira Sul forma cidadãos conscientes
 

Por Jezebel Batista Lopes (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

No decorrer do dia-a-dia dos acadêmicos pelos corredores da Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS, Campus Realeza, os futuros profissionais se formam. Mas acima de tudo se formam os cidadãos conscientes da importância em ajudar o próximo.

O campus de Realeza conta com uma nova moradora, uma cachorrinha que apareceu, e os acadêmicos a adotaram com o nome de Bisnaga. Encantaram-se com a cachorrinha, sendo muito cuidada pelos vários donos que conquistou.

Com a força e união dos acadêmicos, a nova companheira ganhou uma casinha e o carinho dos profissionais da cantina que auxiliam com os cuidados para proporcionar a cachorrinha um dia-a-dia melhor.

Com a aproximação das férias, os novos donos da Bisnaga se preocupam com o campus vazio, mas com a colaboração dos guardas que cuidam da Universidade a Bisnaga não vai estar sozinha.

A acadêmica Daniela Farias, do curso de Letras, opinou para o Comunica, “eu acho uma atitude muito solidária da parte dos acadêmicos, demonstra a preocupação do ser humano com os animais, mesmo vivendo tão próximos de uma realidade que às vezes nos mostra o contrário, onde há tantas pessoas que abandonam e maltratam os animais, e já os alunos da UFFS fizeram algo diferente, acolheram a cachorrinha, alimentaram, uniram-se e compraram uma casinha, ela já é nossa mascote, essas ações são muito gratificantes para nós estudantes.”

                                                                                       Christiano Castellano/UFFS
Acadêmicos Mayza, Marina, Patrícia e Mateus na entrega da casa para Bisnaga. 

Acadêmicos defendem integração entre os cursos

“Esses boatos de que o conselheiro só deve defender o seu curso são absurdos”, criticou uma acadêmica do Campus de Realeza


Por Lucas Carniel (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

Todos os campi da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) estão em fase de preparação para as eleições do Consuni (Conselho Universitário). O Conselho será o maior órgão deliberativo da instituição. Os conselheiros se reunirão periodicamente para tratar de assuntos acadêmicos e estruturais dos quatro campi da universidade. Os membros do Consuni serão escolhidos por meio de eleições, que acontecem no dia 18 de novembro, e, depois de empossados, são eles que terão de auxiliar no processo de desenvolvimento da instituição.

O Consuni será formado por professores, técnicos administrativos e acadêmicos da UFFS. Nos três setores a movimentação para a formação das chapas foi intensa durante os últimos 15 dias (o prazo para a inscrição dos candidatos terminou na quinta-feira, dia 28) e, a partir das próximas semanas, todos se concentrarão na corrida eleitoral.

Os acadêmicos do Campus de Realeza estão participando ativamente do processo das eleições. Sem citar nomes e sem tecer elogios para nenhuma das chapas, os alunos entrevistados pelo Comunica ressaltaram que o conselheiro e suplente escolhidos pelos estudantes devem pensar nos interesses e nas necesidades da UFFS, defendendo melhorias para as quatro graduações.

O acadêmico do curso de Letras, Marcio Rogério Plizzari, lembrou que, enquanto o Consuni não é formado, todas as decisões da UFFS dependem do reitor, Dilvo Ristoff. “O poder não deve ficar centralizado em apenas uma pessoa. Acredito que todo o pessoal deve exercer seu poder de decisão, expondo suas ideias sobre o que a universidade precisa e, o que é mais importante, sem defender este ou aquele curso, mas todos eles”, argumentou Marcio. Ele lembrou que uma das bandeiras que devem ser levantadas pelos conselheiros é a instalação de laboratórios e melhorias no acervo bibliográfico do Campus.

Outra característica que não pode faltar aos futuros conselheiros, de acordo com a acadêmica do curso de Nutrição, Vanessa Aparecida Moschen, é a responsabilidade. “O Consuni é de extrema importância para o desenvolvimento da Universidade, pois, assim, haverá mais integração entre o corpo discente e docente. Mas penso que na hora de votar, a gente tem que pensar bem em quem são os candidatos, porque tem que votar em quem tem responsabilidade, que leve o Consuni a sério”, opinou.

Acima de tudo, a acadêmica do curso de Ciências, Jéssica de Souza, defende que os membros do Consuni não levem interesses individuais para as reuniões. “Esses boatos de que o conselheiro só deve defender o seu curso são absurdos. Penso que o maior objetivo desse conselho é trazer benefícios para todos os campi. A pessoa escolhida terá que pensar muito bem na responsabilidade que esse cargo representa e, na hora dos encontros, lá em Chapecó, terá que esquecer dos interesses do seu curso e colocar as principais necessidades do nosso Campus”, apontou a acadêmica.