quinta-feira, 30 de setembro de 2010

I SIMUFFS supera expectativas


O evento contou com a colaboração de diversos profissionais das mais
 variadas áreas e participação assídua da comunidade acadêmica.

Por Marina Rodrigues e Patrícia dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)
Fotos: Christiano Castellano

De 14 a 17 de setembro a UFFS – Campus Realeza, realizou o I SIMUFFS – Simpósio Multidisciplinar da Universidade Federal da Fronteira Sul. O evento marcou a comemoração do primeiro ano de criação da Universidade. Foram quatro dias de atividades em que alunos, professores e comunidade tiveram a oportunidade de interagir através da troca de conhecimentos e experiências.
A cerimônia de abertura aconteceu na noite da terça-feira, 14, e contou com a presença do presidente da Fundação Araucária, Prof. Dr. Zeferino Perin, que ministrou uma palestra esclarecedora sobre a história, estruturação e objetivos institucionais da fundação para o fortalecimento da Ciência e Tecnologia no Paraná.
Na quarta-feira, 15, foram  lançados simultaneamente, nos cinco campi, o selo e o carimbo comemorativos ao primeiro aniversário da Universidade. O Campus Realeza recebeu o representante dos Correios da agência regional de Cascavel, o Sr. Wilson Binotto, que juntamente com o diretor Prof. Dr. João Alfredo Braida deu segmento à cerimônia.


Público assiste à palestra do Prof. Zeferino Perin (Fundação Araucária), 
na abertura do I SIMUFFS.

Sr. Wilson Binotto (Correios) e Prof. João Braida no lançamento 
do selo e carimbo comemorativos.

A semana seguiu repleta de atividades nas quatro áreas dos cursos ofertados pelo Campus, superando as expectativas da comunidade acadêmica e regional.


Participação dos acadêmicos

 A aluna do Curso de Nutrição, Giovana Giombelli, falou sobre o minicurso “Microorganismos X Alimentação: nutrição e segurança alimentar” ministrado pelo professor Alexandre Carvalho de Moura, o qual, segundo ela, empolgou a todos os presentes: “O professor além de trazer materiais para demonstração, contagiou todos com a paixão que sente pela sua profissão, e isso nos fez sentir bem”.
O grande sucesso na área da Medicina Veterinária foi o minicurso de “Controle de Mamite I e II”, realizado numa propriedade no interior do município. Segundo a aluna Ana Paula Sachet, “foi muito proveitoso, pois é de extrema importância saber como prevenir e controlar essa doença que causa muitos transtornos e prejuízos à cadeia leiteira da região”.
As licenciaturas ganharam atenção especial, tanto na área das Ciências quanto na área das Letras. Foram ofertadas palestras sobre educação e minicursos específicos para cada curso.
As alunas Mayza Lora (Ciências) e Taíse Moraes (Letras)  destacaram a importância das palestras voltadas para a formação de professores, enfatizando o quão interessantes foram para que o acadêmico possa se situar enquanto profissional da área da educação.



As alunas do Curso de Letras,  Jezebel e Josiane com a palestrante
Elaine Thrun, da Secretaria de Estado da Educação do PR.
Alunos dos cursos de Nutrição e Medicina Veterinária
recebendo material do I SIMUFFS.
 
O olhar docente

O evento teve a participação dos professores da UFFS, não apenas como colaboradores, mas também como parte integrante do público.
A Profa. Ms. Luciana Vinhas falou sobre a integração dos alunos com a Universidade através das atividades proporcionadas pelo evento: “Foi muito significativa a participação e a empolgação dos acadêmicos, pois isso viabiliza futuros projetos e a concretização da universidade plural, popular e democrática que almejamos”.
Para a professora do Curso de Medicina Veterinária, Dra. Carina Franciscatto, o que chamou a atenção foi o interesse dos alunos pelo estudo através da prática: “Houve também a participação de pequenos agricultores, que puderam conhecer e tirar suas dúvidas sobre doenças do gado leiteiro”.
O professor do Curso de Ciências, Ms. Wagner Tenfen, falou sobre o valor das oficinas para licenciandos e contou que teve oportunidade de participar de uma delas,  para ter um primeiro contato com um novo instrumento de ensino. Exaltou ainda a importância do Simpósio: “Este tipo de evento só vem a certificar algo importante para todos nós, professores, alunos e servidores: a Universidade está consolidada”.
O Prof. Dr. Antônio Marcos Miskyw, Coordenador Acadêmico do Campus Realeza, afirmou que os diversos espaços utilizados contribuíram para o sucesso do evento. Além disso, deu ênfase à qualificação dos profissionais convidados de várias instituições, como UFSC, USP e  UFFS Campus Cerro Largo.
O coordenador do Curso de Ciências, Prof. Ms. Júlio Trevas, ficou feliz com a participação e postura participativa dos alunos, afirmou que este é o “início do amadurecimento acadêmico”. Para ele, “a primeira edição do SIMUFFS foi surpreendente, não tivemos problemas operacionais e por isso os servidores foram merecidamente homenageados por seu trabalho”.


O Prof. Júlio Trevas foi o mestre de cerimônias 
do encerramento do I SIMUFFS.
 
Servidores

Os colaboradores da UFFS – Campus Realeza, tiveram uma grande importância na realização do I SIMUFFS. Trabalhando desde as inscrições até o dia do encerramento, cuidaram para que cada detalhe fosse tratado como prioridade, e mais que isso, receberam todos com alegria, fazendo com que desde alunos até o público externo se sentissem em casa.
O pedagogo da UFFS, Silvani da Silva, afirma que “a Universidade é uma instituição social e não uma organização com objetivos particulares”, por isso o objetivo de interação dos cursos e da sociedade.
                                                     

Deu tudo certo!

         O encerramento do I SIMUFFS promoveu uma confraternização entre alunos, professores, servidores e direção da UFFS. Contou com apresentações culturais diversas, de música regionalista a erudita, além de uma apresentação impactante por parte dos alunos, que ao cantar um dos hinos do movimento estudantil “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ergueu cartazes de protesto contra o silêncio perante a injustiça.
Os funcionários da Universidade foram homenageados por seu trabalho impecável durante o Simpósio e, na sequência, os presentes puderam assistir uma palestra sobre a “Educação e Emancipação Humana no século XXI”, ministrada pela Profa. Dra. Silvana Aparecida de Souza.

Servidores da UFFS foram parabenizados
pelo trabalho desenvolvido.
Apresentações culturais abrilhantaram o encerramento do I SIMUFFS.
A música “Para não dizer que não falei das flores”, apresentada
por alunos da Universidade, marcou o último dia de evento.
  
Missão cumprida

O diretor do Campus, Prof. Dr. João Alfredo Braida, disse que o evento demonstrou que a equipe da UFFS conseguiu desenvolver com qualidade o trabalho realizado em diversas áreas, envolvendo as escolas, agricultores e alunos, e que isso é extremamente importante por se tratar do primeiro ano da Universidade.
A coordenadora do evento, Profa. Ms. Caroline Voltolini afirmou que o I SIMUFFS superou suas expectativas, mas ressaltou que é importante para o próximo evento que a divulgação seja fortalecida, com o intuito de aumentar a participação da comunidade. Aproveitou para agradecer todos os envolvidos: “O Simpósio só foi um sucesso porque a equipe de organização trabalhou muito e permaneceu unida. Agradeço a todos que participaram e colaboraram com este evento!”.




Profa. Caroline Voltolini,
coordenadora do evento.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Solenidade de encerramento do I SIMUFFS

Na sexta, dia 17 de setembro, foi encerrado o I SIMUFSS com palestra
 sobre educação e emancipação humana.

Encerramento contou com grande participação do público.

 Por Ângela Roman e Leandro Hillesheim (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       Em grande estilo, na última sexta-feira, dia 17 de setembro, ocorreu o encerramento do I Simpósio Multidisciplinar da Universidade Federal da Fronteira Sul (I SIMUFFS). O evento foi realizado na Casa da Cultura de Realeza e contou com uma palestra final e com apresentações culturais de vários gêneros. Os trabalhos da noite foram conduzidos pelo Prof. Ms. Júlio Trevas.
       Após a abertura, houve o agradecimento e entrega de lembranças aos servidores, que colaboraram para a realização do evento, bem como à organizadora, Profa. Ms. Caroline Voltolini. Posteriormente, passou-se a palavra para o diretor geral do campus, Prof. Dr. João Alfredo Braida que, em nome da Universidade, agradeceu a todos pela grande participação no Simpósio.
       A palestra de encerramento foi ministrada pela Profa. Dra. Silvana Aparecida de Souza, com o tema “Educação e Emancipação Humana no século XXI”. Ela fez a análise da conjuntura da sociedade atual, apresentando paradigmas presentes nesta.
Público assiste à palestra da Profa. Silvana Ap. de Souza

       Segundo a Professora, na sociedade ideal a educação deveria se valer de três grandes funções: interação social, espaço de transmissão de conhecimento histórico-cultural e preparação para o trabalho; contudo, no âmbito capitalista, há uma precarização da graduação dos professores, falta de estrutura dos ambientes, diferença entre educação pública e particular e o reduzido apoio do governo.
        Uma das soluções que a Professora apresentou são as escolas integrais, nas quais os estudantes participariam de várias atividades socioeducativas que contribuiriam para uma formação completa. Porém, o problema está no sistema que limita a atuação dos professores. Além dos pontos destacados anteriormente, são salientados os baixos salários, salas lotadas e livros didáticos de conteúdo desqualificado.
        Toda essa problemática é ocultada pela mídia que aliena as pessoas, com a ideologia que o lucro vem antes do homem. Portanto, o homem se torna apenas um meio de uma minoria conquistar o lucro. A disseminação do conhecimento científico proporcionaria o equilíbrio social de oportunidades, contrariando as regras do poder capitalista.
        Para contribuir com a penosa situação, o governo não dá suporte para o desenvolvimento educacional, destinando pouca verba para esse setor. Dessa forma, de que vale realizar congressos entre  professores se não será acatada uma das maiores reivindicações dos docentes, que é a injeção de mais recursos?
       Tudo isso acontece porque o governo acaba por financiar o privado, deixando o modelo da educação pública como modelo de incompetência.
       Finalizando, Silvana enfatiza que a emancipação humanista se tornará concreta a partir do momento em que os indivíduos inseridos na sociedade percebam a gigantesca e crescente diferença que há entre os mesmos, que começa já no âmbito educacional.
 
Apresentação do Hino dos Movimentos Estudantis.
        Para encerrar o evento, a comunidade acadêmica foi prestigiada com  a apresentação do Hino dos Movimentos estudantis (“Para não dizer que não falei das flores” – Geraldo Vandré). A melodia expressa a vontade dos universitários em prol da instituição e da luta contra os problemas sociais que vão além da educação.

Professor da UFFS apresenta Análise de Redes Sociais no I SIMUFFS

O minicurso foi oferecido no último dia de simpósio, pelo professor Marcos Beal.

                                                                                          Christiano Castellano/UFFS
Professor Marcos Beal durante o minicurso de Análise de Redes Sociais.

Por Patrícia dos Santos (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

        Na manhã da sexta-feira, dia 17 de setembro, o I SIMUFFS ofereceu o minicurso de Análise de Redes Sociais, ministrado pelo Prof. Ms. em Sociologia da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Realeza, Marcos Antônio Beal.
       Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um software que utiliza elementos da matemática, estatística e computação para fornecer uma ferramenta metodológica para pesquisa e análise de redes sociais.
       O professor explicou aos presentes o que é uma rede social e o objetivo desta análise. Na sequência, os alunos responderam um mini-questionário que foi utilizado como base para a construção de uma matriz na plataforma UCINET.
       Durante o minicurso, foi desenvolvida uma rede entre os participantes onde puderam ser verificadas as relações entre si e posteriormente sobre seus atributos; como idade, vínculo com a universidade etc. A partir daí, a matriz foi representada graficamente numa extensão do programa, o NETDRAW.
       Além disso, técnicas de coleta e análise foram apresentadas e os alunos puderam debater sobre como a análise de redes pode ajudá-los em suas profissões e em que situação é possível aplicá-la.
       O professor Marcos Beal falou sobre a importância da virtualização dos processos sociais: “A análise de redes já é uma ferramenta há tempo utilizada no campo da computação e, neste sentido, tem sua trajetória ligada ao próprio desenvolvimento de redes como a internet. Sua utilização acontece paralelamente às abordagens desenvolvidas em torno da chamada 'sociedade em rede': movimentos sociais em rede, terrorismo em rede, economia em rede e assim por diante”.
       Conforme o professor Marcos Beal, a sociologia e a ciência política são as principais áreas sociais que fazem uso da análise de redes, porém outros campos científicos também fazem uso desta ferramenta: “Pode-se dizer que essa incursão da análise de redes no campo das ciências sociais tem sido feita em grande parte pela via da sociologia e da ciência política. Todavia, estudos nestas áreas abrem canais de diálogo com outras áreas de conhecimento dentro das humanidades, possibilitando a utilização das ferramentas da análise de redes em campos como a história, a linguística, a economia, a antropologia, o serviço social etc.”
       A assistente social e servidora da UFFS, Aline Juliana Scher participou do minicurso e ficou satisfeita: “O programa é inovador, nunca tinha ouvido falar de uma ferramenta que fizesse o que ele nos mostrou. Ele facilita o trabalho do pesquisador e faz análises que manualmente seria impossível realizar”. A assistente social falou ainda sobre a possibilidade de inclusão da técnica em seu projeto de mestrado.

I SIMUFFS ofereceu minicurso de Análise do Discurso

Alunos do curso de Ciências e Letras participaram das atividades.

                                                                                      Christiano Castellano/UFFS
 Professora Dra. Renata S. da Silva durante minicurso sobre introdução à Análise do Discurso.

Por Marina Rodrigues (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       No terceiro dia do I Simpósio Multidisciplinar da UFFS - Campus Realeza, alunos e professores dos cursos de Letras e Ciências participaram do minicurso sobre Análise do Discurso – questões introdutórias, com a Profa. Dra. Renata S. da Silva da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) - Campus de Jaguarão RS.
       A professora Renata S. Da Silva contextualizou o surgimento da Análise do Discurso Francesa (AD). Em 1969 com os estudos linguísticos de Michel Pêcheux, após o intenso movimento estudantil de 1968, surge essa linha de pesquisa de estudo do “discurso”, que visa analisar a formação de sentidos presentes num texto, leva-se em conta além da superfície do texto as suas construções ideológicas.
É uma disciplina nitidamente de inserção no meio social, político e histórico. A intenção é que o leitor analise o discurso do sujeito de forma crítica, considerando o meio social em que o sujeito está inserido.
       Em seguida, a palestrante apresentou os maiores pesquisadores dessa linha de pesquisa e suas principais obras. Uma das pesquisadoras que se detaca nessa área é a linguista Eni Orlandi, que na década de 1970 começou seus estudo da AD Francesa no Brasil.
       Para exemplificar os conceitos abordados, a professora Renata falou de sua tese de doutorado, na qual analisa o discurso da CUT – Central Única dos Trabalhadores, que hoje é a maior central sindical brasileira, buscando entender a forma como a CUT concebia os trabalhadores em seu discurso. Expôs, assim, a sua tese de forma que os alunos tivessem uma introdução sobre os conceitos basilares da teoria e as possibilidades analíticas do discurso e do sujeito.
       A palestrante juntamente com os alunos fizeram uma análise sobre diversas questões de “discurso”, observaram como o sujeito varia de opinião e como sua ideologia tem influência sobre o texto. Em uma dessas atividades, analisou-se a visão da CUT sobre a imagem da “mulher” na década de 1980 em uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher (08 de março). Segundo seus estudos, quando a CUT fez sua homenagem utilizou um texto que apresenta a mulher como guerreira, batalhadora e forte, mas, ao mesmo tempo, usou uma imagem vulgarizando-a.
       A acadêmica do Curso de Letras Vanessa Boeira da Silveira afirma que “o minicurso foi muito interessante, a professora procurou expor as explicações para os alunos de uma forma clara e objetiva, pois, como ela mesmo explicou, a Análise do Discurso não é uma linha de pesquisa para acadêmicos de Letras, mas sim é muito importante para todos os outros cursos”.

Valorizar a educação e seus difusores implica uma nova visão social

Os futuros profissionais tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre as políticas educacionais e métodos a serem implantados nas escolas.
                                                                                       Christiano Castellano/UFFS

Acadêmicos prestigiam palestras sobre educação na casa da cultura.
Por Jéssica Pauletti (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)
         Dentro da programação do I SIMUFFS, a noite de quarta-feira foi dedicada à área da educação e, no intuito de discutir esse assunto, ocorreram duas palestras. A primeira aconteceu das 19:00 às 20:30, intitulada “Políticas públicas para a formação continuada dos profissionais da educação”, ministrada pela assessora da superintendência estadual de educação, Elaine Thrun.
Elaine argumentou que o principal objetivo da secretaria é garantir o ingresso e a permanência do aluno na escola pública com qualidade. Por conta disso, todos os programas de qualificação do professor e consequente melhoria da educação visam à diminuição das diferenças entre as escolas.
Em relação aos futuros docentes, há, por parte da secretaria, uma expectativa clara que é a sua boa formação. “Nós precisamos de profissionais qualificados para os nossos alunos, queremos que eles saiam da universidade e façam parte da secretaria”, ratificou Elaine.
A UFFS colocará no mercado de trabalho inúmeros professores ansiosos para implementar tudo que aprenderam e, para isso, precisarão do amparo de um órgão reconhecido. Nesse sentido, a secretaria pode auxiliá-los. Como ressalta o acadêmico de Ciências, Juan Corrêa, “essa palestra veio nos orientar e situar sobre as políticas dessa área”. Finalizando, Elaine explica que os professores têm o apoio constante da secretaria e que todos estão juntos pela educação.
Seguindo o evento, houve a segunda palestra, das 20:45 às 22:15, intitulada “Educação em ciências no contexto atual: perspectivas e desafios”, ministrada pela professora Dra Patrícia Giraldi. A professora explicou que os indivíduos devem saber que “a ciência não é neutra”, portanto está sujeita a sofrer progressos ou retrocessos. Partindo disso, ensinar ciência depende da forma e conteúdo a serem implementados, implica também a compreensão dessa disciplina como atividade humana, localizada no contexto histórico-cultural.
Vários fatores podem influenciar na formação do licenciado em ciências, entre eles, a vivência como aluno e a estrutura do curso. Além disso, outro aspecto que pode influenciar o acadêmico no desempenho de sua atividade é a antecipação do contato entre ele e as escolas e alunos, o que possibilitará o uso dos conhecimentos adquiridos na universidade, conhecimentos estes que podem ser implantados no seu ambiente de trabalho, gerando novas perspectivas pedagógicas. Segundo a palestrante Patrícia, “a criação de novas metodologias faz-se necessário para dinamizar o ensino nas escolas. É preciso que os alunos entendam como o conhecimento científico funciona e suas implicações perante à sociedade”.
Somos diariamente envolvidos pela ciência e discuti-la é fundamental. Desse modo, para a acadêmica Maiara Fantinelli do curso de Ciências "a abordagem desse tema só veio a contribuir, já que apontou as formas de prática pedagógica, apresentando também uma visão da realidade escolar e o surgimento de novas perspectivas para melhorar o ensino, principalmente em escola pública". Para encerar, a palestrante ressalta que “ensinar ciência requer um conhecimento mais amplo, além do próprio da disciplina”.
Em suma, podemos considerar que a comunidade acadêmica obteve muita informação. É importante destacar que os discursos vieram para contribuir com o entendimento dos futuros licenciados da UFFS de que para ensinar não é preciso apenas ter um dom, mas sim uma formação digna de profissionais que saibam conviver com seus alunos no contexto social.

Minicurso sobre microorganismos empolgou os acadêmicos

Por Giovana Giombelli (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       Nesta semana que passou, ocorreu o I Simpósio Multidisciplinar da Universidade Federal da Fronteira Sul (I SIMUFFS) de Realeza. Diversas atividades aconteceram lá, englobando os quatro cursos que existem no campus.
       Na manhã de quinta-feira, dia 16 de agosto, foi ministrado o minicurso intitulado “Microorganismos X Alimentação: nutrição e segurança alimentar”. O professor responsável pelo trabalho foi Alexandre Carvalho de Moura, graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Ursula (RJ). Atualmente, coordena o curso de Biologia na Faculdade Assis Gurgacz (FAG).
       A atividade era de interesse de todos, mas foi mais direcionada aos acadêmicos do curso de Nutrição. Nela foi muito fomentada uma visão geral da alimentação, sendo que o professor demonstrou em todo minicurso o seu fascínio pela área na qual é formado.
       No início do curso, ele disse que os microorganismos são o centro da vida, pois estão em todos os lugares. Quando se estuda os microorganismos, há uma área na microbiologia que focaliza a deterioração, a fermentação e a preservação dos alimentos bem como as doenças surgidas pela ação destes. Dessa forma, os microorganismos podem ser tanto maléficos quanto benéficos ao ambiente em que vivemos.
       O professor afirmou que encontramos diversas pequenas vidas em bactérias, fungos e vírus e que, por mais cuidado que tenhamos, tudo está contaminado por esses seres invisíveis a olho nu. Eles têm facilidade de reprodução dependendo da temperatura, da umidade e da composição dos alimentos nos quais poderão se alojar. Em virtude disso, deve-se cuidar como armazenar os alimentos, levando em consideração os fatores citados.
       Contudo, esses seres mostram que também podem ajudar a contribuir para o preparo de certos alimentos como o pão, o queijo, o vinho, a cerveja e o iogurte, por exemplo. Por isso é preciso ter o cuidado quando se diz que os alimentos estão contaminados, pois deve ser feita uma análise do fungo ali encontrado para se tirar as conclusões devidas.
       O prof. Alexandre afirmou que “foi importante fazer essa troca de idéias com os alunos, ampliando seus conhecimentos para um melhor desenvolvimento acadêmico”. Foi bastante estimulante o minicurso, pois envolveu os alunos de forma contagiante e prática, despertando o interesse de todos.

SIMUFFS realiza palestra na área de tecnologia de lácteos


Por Ângela Roman (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)


Alunos concentrados na palestra de tecnologia de lácteos ministrado por Willian Terroso.
 
       Na tarde da quarta-feira, dia 16 de setembro, o I Simpósio Multidisciplinar da Universidade Federal da Fronteira Sul – I SIMUFFS – abriu espaço para a tecnologia de produtos lácteos através de palestra ministrada por Willian Terroso de M. Brandão. Willian é mestre em tecnologia de alimentos e professor de tecnologia em alimentos da UTFPR - Medianeira. A palestra teve grande participação dos acadêmicos, principalmente do curso de Nutrição, Medicina Veterinária e Licenciatura em Ciências.
       O enfoque dado foi aos benefícios que as bebidas fermentadas propiciam ao metabolismo humano, bem como à formação dessas bebidas através dos microorganismos envolvidos e dos ácidos lácteos que, com suas características próprias, dão às mesmas as suas particularidades.
       Em um primeiro momento, o Professor contextualizou como a fermentação se introduziu e a sua longa trajetória no cotidiano. Apresentou as propriedades dos leites fermentados, para que, assim, houvesse maior compreensão dos participantes no tema a ser discutido.
       Segundo o professor, os ácidos lácteos são responsáveis pela conservação do produto e contribuem para o sabor. Além disso, melhoram a digestão, selecionam e retêm microorganismos indesejáveis, salientando, com isso, a importância da ingestão de bebidas lácteas. Lembrou que a qualidade final é recorrente do ambiente de manipulação e de armazenamento. Sendo assim, são necessários muitos cuidados para que o resultado não seja alterado de forma negativa, comprometendo a seguridade e a qualidade.
       Uma nova possibilidade foi levantada pelo palestrante: a manipulação do soro do leite, após a fabricação de queijo, visto que o queijo permanece com inúmeras propriedades de quando in natura. Essa alternativa simplesmente diminui o percentual de gordura que, a princípio, é um gradiente favorável, abrindo espaço para avançar na tecnologia de lácteos de baixo custo e ambientalmente correto, pois a maioria das laticínios não manipulam por não ter tecnologia nem estudos na área.
       Segundo Mayane Faccin, acadêmica do curso de Medicina Veterinária, a palestra foi extremamente proveitosa, integrando as diversas áreas tanto de Medicina Veterinária como de Nutrição. A estudante ressaltou a viabilidade econômica e ambiental da manipulação dos derivados de soro.
       Ao finalizar a sua palestra, o entusiasmo dos acadêmicos era aparente, pois tiveram a possibilidade de estudo em uma área que ainda não foi explorada em pesquisas acadêmicas.

UFFS Promove minicurso sobre controle de mamite

Minicurso com aula prática foi realizado no interior de Realeza.


Por Leandro Hillesheim (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       Como parte do I SIMUFFS (Simpósio Multidisciplinar da UFFS - campus Realeza), o minicurso intitulado “Controle de Mamite” realizou-se na propriedade do senhor José Adenir Yurkoski, da linha Beija Flor, interior de Realeza. O curso ocorreu em três edições: na quinta-feira, dia 16 de setembro, nos turnos da manhã e da tarde, e na sexta-feira, dia 17, somente pela manhã. Ele contou com a participação de acadêmicos, principalmente do curso de Medicina Veterinária, e produtores rurais da região.
       Quem ministrou o curso foi o Prof. Dr. Fábio Celidonio Pogliani, graduado em Medicina Veterinária e Zootecnia, com residência médica veterinária na área clínica e cirurgia de grandes animais (opção ruminantes), mestrado e doutorado em Clínica Veterinária, todos pela Universidade de São Paulo (FMVZ/USP). Atualmente, é professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.
       Após a apresentação, o Médico Veterinário iniciou com a definição de mamite (ou mastite), conversando com os participantes a fim de saber o que já era de conhecimento destes e explicou como ocorre o processo inflamatório e a relação entre mamite e CCS (Contagem de Células Somáticas). Em seguida, abordou sobre o CMT (Califórnia Mastitis Test) que é um método rápido e viável para a verificação da quantidade de células somáticas e, conseqüentemente, da verificação de mastite.
       O professor discorreu sobre a importância da mamite na cadeia do leite, seus custos, prevenção, tratamento, as maneiras de contaminação, os tipos de infecção, dentre outros temas. Como a principal causa de mastite está relacionada com o manejo inadequado, podendo acontecer antes, durante ou após a ordenha, o veterinário explicou a correta forma da realização dos procedimentos necessários. Esses procedimentos dizem respeito a diferentes aspectos, a saber, a pastagem, o local de espera para a ordenha, o local onde as vacas ficam após a ordenha e, principalmente, o manejo de ordenha que precisa ser padronizado com tempo certo, limpeza, desinfecção antes (pré-dipping) e após (pós-dipping), secagem com papel-toalha, correta regulagem dos equipamentos, além de outros cuidados.
       Posteriormente, aconteceu a parte prática realizada na sala de ordenha. No local, os participantes viram como ocorre o processo e puderam praticar os procedimentos de ordenha e a realização dos testes da caneca de fundo preto e o CMT.
       O evento teve notória importância não só para o aprendizado mas, também, para a interação da UFFS com a comunidade.

O poder da leitura

Quando a paixão pela leitura une forças com o saber.

Por Josiane Ribeiro (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       “É minha paixão, minha vida, a literatura”, com este depoimento emocionante a professora Neiva Maria Graziadei Fernandes conquistou seu público no minicurso sobre “a ditáctica da literatura y educación literaria”.
       Filha de argentino nascido em 1900, Neiva afirma que foram as influências que teve quando criança que despertaram tamanho interesse pela literatura. Toda sua formação foi voltada para a vida literária, bem como os projetos que desenvolve com base na literatura comparada e sobre a identidade do sujeito na leitura.
        Segundo a professora, “a literatura existe para nos humanizar, nos tornarmos mais sensíveis”. Como exemplo, Neiva trouxe uma pequena citação retirada de um livro de Kafka que questiona qual o interesse que se pode ter ao ler um livro e afirma que os livros devem ser como “um pedaço de gelo que se rompe em um mar congelado que temos dentro de nós”.
       Para Neiva, a leitura é “como algo que nos constitui, que nos põe em questão aquilo que somos” e sua importância não existe apenas dentro de um texto, mas também dentro das pessoas. A leitura tem o poder de afetar o sentido do leitor, entrar no que existe de mais íntimo no ser humano, ela é uma “experiência de transformação”, frisou a professora.
       Durante o minicurso, foram passados alguns exemplos de livros e textos que tratam de assuntos importantes e questionáveis. Um deles foi o livro “Dom Quixote de la Mancha” que trata de um personagem considerado polêmico para a época, não por ser um louco, mas por ter tamanha sensibilidade que, aos olhos dos outros, era visto como um louco. De acordo com a ministrante, a primeira edição do livro foi publicada num momento no qual o mundo era dominado pela censura, e o autor trata de questões como: o excesso de religiosidade, os domínios comerciais e, principalmente, o direito de pensar, falar, escrever, cantar o que quisesse, direito que a censura tirava, ou tentava tirar, das pessoas.  Também foi trabalhado o texto “Una palabra enorme” de Mario Benedetti, que trata da história de uma criança cujo pai, um jornalista, foi preso em um cárcere chamado “Liberdade”. Segundo Neiva, são dois os pontos importantes expostos: a presença masculina no desenvolvimento desta criança e, novamente, a censura que dominou vários países por longos anos.
       O resultado do minicurso foi o envolvimento completo do público, uma vez que Neiva, uma apaixonada não só por livros, como também pela cultura dos países de língua espanhola, foi capaz de fazer seus ouvintes enxergarem a literatura de outro modo.

Oficina traz novos métodos para o ensino da Sociologia

Por Lucas Carniel (Projeto Comunica/UFFS-Realeza)

       A realização do Simuffs (Simpósio Multidisciplinar da Universidade Federal da Fronteira Sul) durante a semana passada, no campus de Realeza, trouxe uma série de novos conhecimentos a quem participou das palestras e oficinas. Tanto profissionais das áreas abordadas quanto acadêmicos dos cursos oferecidos no campus saíram com novas informações, o que rendeu elogios ao Simpósio.
       Uma prova disso foi a oficina ministrada pelo técnico em assuntos educacionais da UFFS, André Carvalho Baida. O tema abordado foi “Sociologia e Educação”. Através de documentário, debates e análises, Baida compartilhou experiências de trabalho para a Sociologia. Segundo ele, a recente inserção da disciplina na grade curricular do Ensino Médio trouxe inúmeros desafios aos educadores, como, por exemplo, a falta de materiais para se trabalhar nas salas de aula. O sociólogo explicou que “no Brasil, a Sociologia tem uma história intermitente. Por isso, não se tem material didático nem uma metodologia para se trabalhar a disciplina. Com isso, a maioria dos professores acaba levando a metodologia que recebeu na graduação para as salas de aula do Ensino Médio, e isso é muito frustrante para o aluno”. Outro extremo da situação, segundo Baida, ocorre quando o professor leva para as salas o conhecimento do senso comum, ou seja, “pessoas que não têm um conhecimento sociológico acabam pesquisando nas fontes erradas e misturam à aula o senso comum. Isso acaba sendo frustrante, tanto para o aluno como para o professor”.
       Na oficina apresentada pelo sociólogo, métodos simples, como a análise de documentário e exposição de dados levantados em fontes confiáveis resultaram num exemplo de aula de Sociologia. “Desenvolvi esses métodos através das aulas que dei no Ensino Médio e profissionalizante e nos projetos de extensão que fiz na universidade”, revelou Baida.



André Baida trouxe para a oficina métodos que desenvolveu nas salas de aula e em projetos de extensão na universidade.



O que aprendi?

       A oficina foi acompanhada tanto por estudantes da Universidade como por pessoas residentes na Região Sudoeste do Paraná, este fato revela que a comunidade foi beneficiada pela atividade acadêmica desenvolvida pela UFFS e a maneira como a oficina foi conduzida agradou os participantes. “Foi uma novidade que superou as expectativas, devido ao fato de se fazer uso da informação aplicada à Sociologia”, opinou o acadêmico do Curso de Letras, Alceni Langner.
       A estudante de Ciências, Raquel de Mello, também não se arrependeu de ter se inscrito para a oficina. “Gosto de Sociologia. Acredito que é extremamente importante ver as causas e os problemas da sociedade”, frisou. Vanessa Dalcortivo, também do Curso de Ciências, gostou mais da parte da comparação de dados entre os países. “Já trabalho com isso como entrevistadora do IBGE no Censo”, justificou.
       Paulo Violato, professor de Educação Física e funcionário do Núcleo Regional da Educação de Dois Vizinhos, acredita que a fonte do conhecimento pode estar em qualquer lugar. “Mesmo dando aula, a gente sempre acaba aprendendo muita coisa (...) quando tenho oportunidade, procuro participar desses encontros em universidades. Acaba sempre acontecendo uma troca de informações que acabamos levando para o resto de nossas vidas como professores”, disse Violato.